Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
1

Extremista misterioso no lugar de Maskhadov

O sucessor de Aslan Maskhadov, líder guerrilheiro tchetcheno assassinado, é um desconhecido sobre o qual circulam histórias desencontradas.
11 de Março de 2005 às 00:00
O filho de Maskhadov, Anzor (ao centro) participou numa vigília pelo pai em Baku, Azerbaijão
O filho de Maskhadov, Anzor (ao centro) participou numa vigília pelo pai em Baku, Azerbaijão FOTO: Rafael Shakirov/Reuters
Alguns responsáveis tchetchenos pró-russos insinuam mesmo que pode tratar-de de uma figura fictícia. Mas a maioria das versões coincide em afirmar que Abdul Khalim Saydullayev é um clérigo que tem chefiado o Tribunal Supremo da Sharia, órgão da justiça religiosa dos rebeldes tchetchenos, e que a sua subida ao poder representa provavelmente uma radicalização da luta separatista.
O influente senhor da guerra tchetcheno Shamil Basayev afirma, num texto colocado no ‘site’ rebelde Kavkaz Center, que Khalim foi nomeado sucessor de Maskhadov na presidência tchetchena num decreto aprovado em 2002 e assinado em 2004 pelo próprio Maskhadov.
Na mesma mensagem Basayev jura fidelidade ao novo líder formal da guerrilha e exige a todos os muçulmanos tchetchenos o reconhecimento da sua autoridade.
Segundo versões difundidas por órgãos de informação russos, Khalim é de origem saudita e assumiu importância entre os separatistas em 2002, depois de trazer consigo financiamentos importantes para o movimento. Esta versão enquadra-se bem na leitura política de Moscovo da revolta na Tchetchénia. O Kremlin tem insistido, a nível interno e externo, nas ligações entre os separatistas e o terrorismo islâmico internacional.
Mas outras fontes, entre elas o filho de Maskhadov, Anzor, afirmam que Khalim é tchetcheno e natural da aldeia de Stariye Atagi.
Seja como for, parece certo que a morte de Maskhadov vai radicalizar a luta. O líder assassinado – antigo militar soviético e presidente eleito da Tchetchénia desde 1997 – representava, de facto, a ala moderada, tendo mesmo recentemente proposto uma trégua unilateral na luta contra o Kremlin.
Têm, entretanto, surgido à luz do dia pormenores desencontrados sobre a operação que custou a vida a Maskhadov. Segundo fontes russas, as forças de segurança pretendiam apanhá-lo vivo e terá sido a sua recusa em render-se que precipitou os acontecimentos. Oficialmente foram os estilhaços de uma granada a vitimá-lo, mas o cadáver revela escassos vestígios da explosão que alegadamente o matou.
15 MORTOS EM QUEDA DE HELI
Um helicópetro militar de transporte despenhou-se ontem na Tchetchénia, matando 15 elementos das forças especiais russas. Um dos passageiros sobreviveu.
O aparelho embateu em linhas de alta tensão quando voava a baixa altitude. “Os rebeldes vão certamente afirmar que abateram o helicóptero, mas essa versão é inteiramente falsa”, afirmou um responsável local pró-russo.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)