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Correio da Manhã

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Família de mártir expulsa de casa

A família de Neda Agha Soltan, a jovem iraniana que foi morta a tiro no passado sábado e se tornou no símbolo dos protestos, está a viver um novo pesadelo. Segundo os vizinhos, a polícia obrigou-a a abandonar o apartamento, na rua Meshkini, a leste de Teerão, e ninguém sabe para onde a levaram. O regime não abranda os actos de repressão, apesar do fim das manifestações.
27 de Junho de 2009 às 00:30
Opositores dizem que Neda nunca será esquecida
Opositores dizem que Neda nunca será esquecida

Segundo adianta o jornal britânico ‘The Guardian’, a polícia nunca entregou o corpo à família, tendo enterrado Neda sem que qualquer dos familiares fosse informado. Obrigada a cancelar o funeral, a família foi ainda proibida de qualquer manifestação de dor. De acordo com a tradição persa, os familiares do falecido devem anunciar o luto e colocar uma faixa negra no edifício em que vivem. Mas a polícia retirou-a, recusando à família o direito de manifestar publicamente a sua dor e obrigando--a a abandonar a casa.

O motivo desta mudança forçada da família de Neda Soltan é impedir que Meshkini se converta num lugar de peregrinação. Como manda a tradição persa, após a morte da jovem, inúmeros familiares e amigos foram à sua casa apresentar os pêsames à família. O regime quis pôr um ponto final nesta manifestação de solidariedade à família, expulsando os familiares da casa. A rua onde Neda mora está agora vazia. A polícia secreta patrulha-a. Os apoiantes do líder da oposição, Hossein Moussavi, planeiam lançar balões com a mensagem: 'Neda, estarás sempre nos nossos corações.'

EXECUÇÃO DE MANIFESTANTES

Ahmad Khatami, um religioso conservador, apelou ontem às autoridades para executarem os promotores das manifestações para servir de lição às milhares de pessoas que nelas participaram.

'Quero que o órgão judiciário puna os que incitaram às manifestações de modo firme e sem misericórdia, para que aprendam a lição. Eles têm de ser punidos selvaticamente, sem piedade', afirmou Khatami, que é membro da Assembleia dos Peritos.

O clérigo adianta que os incitadores das manifestações têm de ser acusados de serem ‘mohareb’, um termo que se utiliza para designar aqueles que declaram guerra a Deus. Ao abrigo da lei iraniana, todos os ‘mohareb’ são condenadosà pena máxima: a execução.

APONTAMENTOS

MÉDICO FUGIU

Arash Hejazi, o médico que tentou salvar Neda no local, fugiu do Irão quando o vídeo sobre a jovem correu mundo. 'Acho que tentou perguntar porquê?', contou ao ‘Times’. Hejazi, que culpa a milícia Basij, vive no reino Unido e estava no Irão em negócios.

NÃO HOUVE FRAUDE

O Conselho dos Guardiões, órgão supremo no Irão, afirmou que não houve fraude eleitoral na reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. As verificações dos últimos dias mostram irregularidades menores.

G8 CONDENA VIOLÂNCIA

O G8 lamentou a violência no Irão após as eleições e exortou o regime de Teerão a resolver a crise através do diálogo

RÚSSIA PREOCUPADA

A Rússia afirmou estar seriamente preocupada com o uso da força no Irão e a morte de civis. O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, pediu uma solução pela via democrática.

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