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Correio da Manhã

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Famílias criticam políticos

A representante dos familiares das vítimas dos atentados de 11 de Março em Madrid acusou ontem os membros da comissão parlamentar de inquérito de “insensibilidade” e de usarem as vítimas como “arma de arremesso” nos seus jogos políticos.
16 de Dezembro de 2004 às 00:00
Familiares das vítimas acusam políticos de insensibilidade
Familiares das vítimas acusam políticos de insensibilidade FOTO: Susana Vera/Reuters
Num depoimento extremamente emotivo, interrompidos várias vezes por lágrimas, Pilar Manjón, porta-voz da Associação de Vítimas do 11 de Março, acusou a comissão de falar apenas de si própria e de ignorar as vítimas, que não passam de “uma arma de arremesso político”. “Vimos aqui atitudes de aclamação e vitória, como se a comissão fosse um jogo de futebol. Estão a falar da perda de vidas humanas. De que se riem?”, acusou Manjón, que perdeu um filho de 20 anos nos ataques.
Com a voz entrecortada pela emoção, a porta-voz das vítimas exigiu ainda o fim imediato dos trabalhos da comissão e a criação de um outro grupo de inquérito “livre de interesses partidários”. “Não permitimos que utilizem a nossa dor com fins partidaristas”, afirmou.
O lamento de Pilar Manjón teve, pelo menos, o mérito de chamar os políticos à razão: no final do seu depoimento, todos os grupos parlamentares usaram da palavra para pedir desculpa aos familiares das vítimas, e o primeiro-ministro Zapatero anunciou a criação de um Alto Comissariado para o Apoio às Vítimas.
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