Organização considera decisão do Governo de da Israel uma "caça às bruxas".
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A Federação internacional de jornalistas (FIJ) criticou hoje o Governo de Israel por anunciar o próximo encerramento da delegação da cadeia televisiva do Qatar Al-Jazeera, uma decisão que a organização considera uma "caça às bruxas".
"A decisão das autoridades israelitas de encerrar os escritórios da Al-Jazeera em Jerusalém e retirar as credenciais aos seus jornalistas sob uma acusação geral de apoiar a violência é um ataque à liberdade de imprensa e ao pluralismo da informação", declarou em comunicado Philippe Leruth, presidente da FIJ, organização que agrupa os sindicatos de jornalistas.
O ministro das Comunicações de Israel, Ayoub Kara, declarou ontem a intenção de encerrar a delegação da Al-Jazeera, após o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter acusado este meio de comunicação de "incitar à violência" e exacerbar as tensões em torno dos lugares santos de Jerusalém, uma sentença que acabou por ditar o destino da cadeia televisiva no Estado judaico.
Segundo a FIJ, as autoridades israelitas poderiam ter exercido o seu "direito de resposta" caso considerassem que "era errada alguma informação difundida pela Al-Jazeera".
"Ao decidir não fazê-lo, e pelo contrário associar-se à campanha internacional contra a Al-Jazeera, dão a impressão que antes pretendem silenciar uma voz que não lhes agrada, o que é contrário aos valores democráticos que representam", acrescentou a FIJ.
A organização sublinhou ainda que o Sindicato palestiniano de jornalistas, filiado na FIJ, considerou a decisão de Israel "uma grave violação da liberdade de expressão e do direito dos jornalistas em trabalhar".
No domingo, um responsável da estação televisiva qatari condenou a decisão do Governo israelita de e disse que vai contestá-la judicialmente.
"Israel sustenta que é o único Estado democrático do Médio Oriente e gaba-se disso, mas segue, de livre vontade, a decisão de países ditatoriais que não reconhecem a liberdade de expressão e a liberdade de informação", sublinhou, dizendo-se espantado por ver o ministério das Comunicações israelita justificar a decisão contra a sua TV com argumentos utilizados pelos "países do bloqueio, que são a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrain e o Egito".
A 05 de junho, estes países cortaram relações diplomáticas com o Qatar, acusando-o de "apoiar o terrorismo" e no ultimato dirigido a Doha para o reatamento dos contactos está, entre outras exigências, o encerramento da Al-Jazeera.
Ao justificar a sua decisão, o ministro das Comunicações israelita também recorreu à atual crise no Golfo ao referir que "nos últimos tempos, quase todos os países da região, nomeadamente a Arábia Saudita, o Egito e a Jordânia, chegaram à conclusão de que a Al-Jazeera incita ao terrorismo e ao extremismo religioso".
"Seria aberrante, nestas condições, que esta estação continuasse a emitir" a partir de Israel, acrescentou o ministro Kara.
As autoridades israelitas vão pretendem limitar as capacidades de transmissão da cadeia através das "ligações abertas que permitem à maioria dos telespetadores da comunidade árabe israelita terem acesso" à Al-Jazeera, acrescentou o ministério das Comunicações sem fornecer mais detalhes.
Os árabes israelitas, descendentes dos palestinianos que permaneceram nas suas terras após a formação do Estado de Israel em 1948, representam 17,5% da população de Israel, de larga maioria judaica. Possuem nacionalidade israelita, mas há longas décadas que se consideram discriminados.
O anúncio sobre o silenciamento da Al-Jazeera surge após duas semanas de tensões em torno da esplanada das Mesquitas em Jerusalém-leste, onde o Estado hebraico instalou um novo dispositivo de segurança que suscitou uma reação de revolta da população palestiniana.
O responsável da Al-Jazeera contestou as acusações israelitas de parcialidade na cobertura dos acontecimentos em torno dos lugares santos de Jerusalém. Israel acabou por recuar e desmontou os últimos elementos desse dispositivo.
"A nossa cobertura dos acontecimentos nos territórios palestinianos é profissional e objetiva e os israelitas reconheceram-no mais de uma vez, porque nos preocupamos em apresentar as opiniões e os respetivos contraditórios", sustentou.
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