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Felipe VI cumpre mil dias de reinado em Espanha

Rei conseguiu recuperar a credibilidade e prestígio da monarquia espanhola.
13 de Março de 2017 às 12:07
Felipe VI, rei de Espanha
O rei de Espanha, Felipe VI
Felipe VI na sua recente visita a Lisboa
Felipe e Letizia na Câmara de Lisboa.
Marcelo cumprimenta Letizia e Felipe VI
Felipe VI, rei de Espanha
O rei de Espanha, Felipe VI
Felipe VI na sua recente visita a Lisboa
Felipe e Letizia na Câmara de Lisboa.
Marcelo cumprimenta Letizia e Felipe VI
Felipe VI, rei de Espanha
O rei de Espanha, Felipe VI
Felipe VI na sua recente visita a Lisboa
Felipe e Letizia na Câmara de Lisboa.
Marcelo cumprimenta Letizia e Felipe VI
O rei de Espanha, Felipe VI, cumpre na terça-feira mil dias de um reinado em que, segundo observadores, projetou uma atitude mais transparente e credível da instituição monárquica, invertendo a má imagem deixada pelo pai, Juan Carlos I.

A maior parte dos observadores em Espanha faz uma apreciação positiva do início do mandato de Felipe VI, que teve de enfrentar momentos muito difíceis, como o julgamento da irmã, infanta Cristina, implicada num caso de corrupção em que acabou por ser absolvida, e a mediação de uma crise política que se arrastou durante quase um ano.

A escritora e jornalista Ana Romero, especialista em assuntos relacionados com a Casa Real espanhola, defendeu que o reinado vai começar apenas a partir de agora, depois das "turbulências iniciais".

"O reinado começa a partir de agora que acabou o caso Nóos e que o rei Juan Carlos está mais esquecido", disse Ana Romero num encontro com correspondentes de órgãos de comunicação social estrangeiros em Madrid.

Depois da morte do ditador Francisco Franco em 1975, o pai de Felipe VI conseguiu realizar a transição pacífica do regime franquista para a democracia parlamentar, gerando o consenso entre os diversos partidos políticos e com uma grande popularidade entre os espanhóis.

No entanto, uma série de incidentes durante o seu reinado levaram a que dois terços dos espanhóis desejassem que o rei Juan Carlos abdicasse do trono, o que aconteceu em junho de 2014.

Os espanhóis não perdoaram o último escândalo de Juan Carlos que, no meio de uma situação económica difícil, em 2012, fez uma viagem a África para caçar elefantes, sendo ele próprio presidente de honra da organização ambiental WWF.

No discurso de aclamação feito a 19 de junho de 2012, Felipe VI anunciou "uma monarquia renovada para um tempo novo" e rapidamente tomou medidas nesse sentido, como a auditoria externa às contas da Casa Real e a proibição da família real de receber presentes que comprometam a dignidade das suas funções, empréstimos sem pagar juros ou serviços em condições vantajosas.

O chefe de Estado espanhol decidiu ainda diminuir o seu salário em 20%, para níveis mais comparáveis ao de outros altos cargos do país, presidentes da República e outros monarcas europeus.

No início do seu reinado, Felipe VI não teve dúvidas em retirar à sua irmã, infanta Cristina, o título de duquesa de Palma pelo seu envolvimento no caso Nóos e ainda sem saber o resultado da investigação.

Entretanto, a Justiça espanhola absolveu há um mês a infanta da suspeita de evasão fiscal nesse caso, mas condenou o seu marido a seis anos e três meses de prisão por fraude e desvio de dinheiros públicos.

Felipe VI propôs em janeiro de 2016 que o vencedor das eleições legislativas, Mariano Rajoy, formasse Governo, tendo este declinado a proposta, uma situação que levou o país a 10 meses de crise política.

O rei de Espanha tem adotado uma atitude reservada e mais institucional, mas o seu papel foi decisivo na gestão do processo de nomeação do novo Governo, depois de cinco rondas de negociação com todos os partidos políticos e duas investiduras falhadas ao longo do ano passado.

A manutenção da unidade de Espanha também tem sido uma prioridade de Felipe VI, com 20 deslocações à Catalunha, uma comunidade autónoma com um forte movimento independentista, onde manifestou o desejo de que a coroa esteja "mais presente" na região e transmitiu "mensagens de respeito, entendimento e convivência".

"Felipe VI é totalmente diferente e não se pode comparar a Juan Carlos I", sublinhou Ana Romero, ao mesmo tempo que se interrogou sobre se "o rei vai transformar os espanhóis em 'Felipistas' ou em defensores da coroa".
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