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Correio da Manhã

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Férias de Natal radicais

Pegou na mala e num caderno de notas e partiu para Bagdad sem alertar a família. Na ingenuidade dos seus 16 anos, Farris Hassan, filho de norte-americanos de origem iraquiana, arriscou a vida dezenas de vezes nas mais radicais férias de Natal imagináveis, apenas para fazer um trabalho escolar sobre a guerra no Iraque.
31 de Dezembro de 2005 às 00:00
Nos cerca de 15 dias de aventura, foi abandonado no deserto do Koweit, foi cercado por grupos hostis e nas 48 horas que passou em Bagdad ‘escapou’ a seis atentados suicidas.
Depois de causar preocupação a dezenas de militares que o procuravam, alertados pelos pais, afirmou apenas: “Queria experimentar as dificuldades por que passam os iraquianos, de maneira a poder compreender o seu sofrimento”.
Hassan, cujos pais nasceram no Iraque mas vivem há 35 anos nos EUA, não sabe falar árabe, mas decidiu que a única maneira autêntica de fazer o trabalho escolar de jornalismo era adentrar-se na realidade que escolheu retratar.
Envergando ténis de marca, calças de ganga e com um acentuado sotaque, era facilmente identificável como norte-americano, mas foi assim que partiu para Bagdad no passado dia 11. Utilizou dinheiro da mesada e recorreu à origem dos pais para obter o visto de entrada no Iraque.
No trajecto iludiu a morte por pouco. Tentou chegar a Bagdad de carro a partir do Koweit mas foi largado na fronteira, fechada devido às medidas de segurança adoptadas antes das legislativas de dia 15. O jovem reconheceu depois que, caso tivesse cruzado a fronteira, a sua vida pouco valia, pois o percurso até à capital iraquiana é uma ‘roleta russa’. Quando telefonou para casa, a partir do Koweit, o pai pediu-lhe para ir para casa de amigos no Líbano, mas em vez disso Hassan foi de avião para Bagdad.
Na capital iraquiana passou um dia durante o qual houve seis atentados e quase foi assaltado num restaurante. Quando finalmente foi localizado e entregue aos cuidados da embaixada dos EUA não se mostrou arrependido. “Este é um dos piores lugares do mundo. Mas quando voltar a casa vou apreciar muito mais tudo o que tenho, vou beijar o chão e abraçar toda a gente”, afirmou.
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