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Correio da Manhã

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Festas com sexo, álcool e violência

Bruno, o guarda-rede dos Flamengo detido esta semana por alegado envolvimento no sequestro e morte brutal da ex-amante Eliza Samúdio, é acusado de agredir violentamente várias prostitutas contratadas para animar as festas que organizava na sua casa de campo em Minas Gerais. Várias das vítimas vieram agora a público narram o horror que viveram durante verdadeiras orgias de sexo e álcool sem limites organizadas pelo jogador.
12 de Julho de 2010 às 00:30
Bruno, que foi detido na semana passada pela morte de Eliza Samúdio, agrediu várias prostitutas nas festas que organizava na sua propriedade
Bruno, que foi detido na semana passada pela morte de Eliza Samúdio, agrediu várias prostitutas nas festas que organizava na sua propriedade FOTO: Stringer/Reuters

"O Bruno é agressivo, ele gosta de humilhar as pessoas", conta uma jovem, que pede na Justiça uma indemnização de 818 mil euros por ter sido espancada por Bruno e amigos, entre os quais outros jogadores do Flamengo, numa dessas orgias, em 2008. "Com uma mão ele puxava-me com força pelo cabelo, com a outra mandava-me ficar calada. Ele gostava de bater no rosto e na cabeça", afirma a vítima.

As mulheres agredidas eram normalmente abandonadas em estradas desertas e ameaçadas caso fizessem queixa à polícia. A jovem afirma que Bruno, quando se cansava de bater, incentivava os amigos a fazerem o mesmo e impedia quando alguém tentava evitar. "Enquanto outros jogadores nos batiam e até atiravam garrafas, o Bruno olhava e ameaçava quem tentava socorrer-nos. E ninguém mais se mexia, com medo dele", conta ainda a jovem.

Vizinhos da casa de campo de Bruno, que tem vários quartos, piscina e campo de futebol e fica a poucos quilómetros da favela onde o futebolista foi criado, relatam que estas festas eram frequentes quando Bruno estava na propriedade, com todos os participantes a andarem nus pela casa, e que a música era ensurdecedora. Por isso não estranharam o som alto vários dias seguidos no mês passado, sem desconfiarem de que era para esconder os gritos de dor de Eliza.

PORMENORES

MAIS UMA SUSPEITA

A polícia está a tentar apurar quem é uma loira, conhecida como Fernanda, que estava na casa de Bruno no Rio de Janeiro no dia em que Eliza, já ferida, foi levada para lá, e que foi vista também na casa do guarda-redes em Minas Gerais.

BODA PÁRA INVESTIGAÇÃO

As investigações do caso estão praticamente paradas desde sexta-feira, porque o delegado Wagner Pinto, que lidera a investigação, casou-se e convidou os colegas para a festa.

CÚMPLICE MENOR AMEAÇA SUICIDAR-SE

O menor de 17 anos, primo de Bruno, que confessou ter participado na morte de Eliza e cujo testemunho foi crucial para a detenção do guarda-redes e de todos os outros envolvidos, terá ameaçado suicidar-se por não suportar a pressão do que fez e por temer represálias.

A informação foi dada por um familiar do menor, que teme que o adolescente não resista à pressão de estar preso e de ser acusado de participar num crime tão horrendo.

O jovem, recorde-se, participou no sequestro de Eliza Samúdio e admitiu tê-la agredido com várias coronhadas. A polícia também já tinha informado que o rapaz cada vez que fala sobre a morte de Eliza chora muito e começa a tremer. Segundo várias fontes, a própria Eliza Samúdio ter-lhe-á perguntado porque é que ele, sendo bandido, chorava enquanto a agredia.

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