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Correio da Manhã

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FIDEL ACUSA EUA DE CONSPIRAÇÃO

O presidente de Cuba, Fidel Castro, afirmou que as recentes condenações de dezenas de dissidentes e a execução de três sequestradores de um “ferry boat” são a consequência de uma “conspiração” preparada pelos Estados Unidos da América e pela “mafia terrorista” de Miami, denominação atribuída aos exilados cubanos nos EUA.
26 de Abril de 2003 às 13:21
FIDEL ACUSA EUA DE CONSPIRAÇÃO
FIDEL ACUSA EUA DE CONSPIRAÇÃO
Numa intervenção televisiva que durou cerca de quatro horas, o líder cubano disse que por trás das tentativas de Washington e da “mafia terrorista” de Miami para alimentar a emigração ilegal esconde-se o pretexto para uma agressão armada contra Cuba, pelo que, para impedir que acções destas se repitam, Havana teve de tomar acções punitivas exemplares.
Na opinião de Fidel Castro, o governo norte-americano “não pode ser mais hipócrita” quando se mostra preocupado com um êxodo de emigrantes ilegais cubanos para os EUA, quando, “com fins sinistros, a mafia terrorista de Miami promove o sequestro maciço de aviões e barcos cubanos”.
Para o presidente cubano, esta nova pressão exercida por Washington sobre a ilha começou com a chegada a Havana do chefe da Secção de Interesses Norte-americanos, James Cason, em Setembro do ano passado, a quem acusa de ter aliciado grupos de dissidentes no interior do país e de estar ao serviço da “mafia terrorista de Miami”.
Face a esta situação, Fidel alega que as autoridades cubanas não podem ser responsabilizadas pela “detenção de dezenas de mercenários, que traíram a sua pátria a troco de privilégios e de dinheiro que recebem dos EUA”, nem pela execução de “delinquentes comuns armados que sequestraram um barco de passageiros”.
Nos últimos meses, Cuba tem vindo a ser palco de uma nova vaga de repressão marcada pela condenação de dezenas de dissidentes pró-democracia a pesadas penas de prisão e pela execução, no passado dia 11 de Abril, de três indivíduos envolvidos no sequestro de um “ferry-boat” com 50 pessoas a bordo que acabaram por ser detidos pelas autoridades.
O grupo de sequestradores, num total de 11 elementos, havia assumido o controlo da embarcação dia 2 de Abril, com o objectivo de fugir para os EUA. Além dos três condenados à morte, quatro dos seus cúmplices foram sentenciados a prisão perpétua e outro a 30 anos de prisão. Três mulheres que integravam o grupo foram condenadas a cinco, três e dois anos de prisão.
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