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Filho de Bolsonaro troca líder da campanha presidencial após queda em sondagem

Eduardo Fischer assume o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro ainda esta quinta-feira, com a missão considerada extremamente difícil até por aliados.

21 de maio de 2026 às 14:54

O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, demitiu ontem o “marqueteiro” (publicitário) da sua campanha às presidenciais de Outubro, Marcelo Lopes, após uma acentuada queda nas sondagens. Um novo publicitário, Eduardo Fischer, assume o projecto presidencial de Flávio ainda esta quinta-feira, com a missão, considerada extremamente difícil até por aliados, de reverter o quadro desfavorável a Flávio, que até à semana passada estava empatado com o actual presidente brasileiro, Lula da Silva, no primeiro lugar entre todos os candidatos.

Fischer assume a estratégia e a comunicação da campanha de Flávio com uma suposta carta branca, o que em política nunca é uma verdade absoluta, pois há interesses e alianças a levar em conta em qualquer decisão. De qualquer forma, ele recebeu do coordenador-geral da campanha presidencial do filho de Bolsonaro, o também senador Rogério Marinho, autonomia para trocar principalmente os profissionais da área de comunicação, acusada de não ter dado a resposta adequada ao escândalo ligando Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso meses atrás por comandar um gigantesco esquema de fraudes no mercado financeiro.

Na semana passada, uma fuga de informações que estavam sob a guarda da Polícia Federal, subordinada a Lula da Silva, revelou que Flávio pediu milhões de euros a Vorcaro, que até à libertação dos dados dizia não conhecer, supostamente para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do pai, Jair Bolsonaro. Flávio foi forçado a reconhecer o pedido mas alegou ser meramente uma relação comercial em busca de um investidor para o filme, só que esta semana novas revelações mostraram que o candidato presidencial tinha uma relação de amizade muito próxima com o banqueiro e que chegou a visitá-lo após ele ser preso e ficado em prisão domiciliária.

Na primeira (e até agora única) sondagem eleitoral divulgada após as revelações, o Instituto Atlas Bloomberg mostrou terça-feira passada uma queda de seis pontos de Flávio na intenção de voto dos brasileiros, passando de 47,8% em Abril para 41,8% numa eventual segunda volta, e sendo ultrapassado por Lula da Silva, candidato à reeleição, que surgiu esta semana com 48,9% mas com o qual até ao vazamento estava empatado. Enquanto a crise avançava, o agora ex-publicitário de Flávio viajava pelos EUA, não deu a resposta ágil e eficaz que os coordenadores da campanha gostariam de ter tido e recusou interromper a viagem.

Eduardo Fischer foi contratado para disparar uma grande ofensiva mediática de Flávio Bolsonaro, com uma profusão de entrevistas e até mesmo com o avançar de medidas do seu hipotético governo, ao mesmo tempo que uma equipa de profissionais vai disparar igualmente uma grande ofensiva digital em favor do candidato nas redes sociais. Mas, entre aliados do filho de Bolsonaro há um crescente temor de que novas revelações abalem ainda mais a confiança dos eleitores em Flávio e inviabilizem de vez a sua candidatura presidencial.

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