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Correio da Manhã

Mundo

Final feliz em Atenas

Foram 18 longas horas de angústia para mais de 20 pessoas sequestradas por dois homens armados desde a madrugada de ontem num autocarro que seguia entre Maratona e o aeroporto de Atenas.
16 de Dezembro de 2004 às 00:00
O drama dos reféns encerrados no autocarro bloqueou o trânsito na estrada de Maratona
O drama dos reféns encerrados no autocarro bloqueou o trânsito na estrada de Maratona FOTO: Vardoulakis/Epa
Ao longo do dia, os sequestradores libertaram mais de metade dos passageiros para, ao princípio da tarde, interromperem de forma abrupta as negociações, ameaçando matar os restantes reféns se não recebessem um resgate de um milhão de dólares e não lhes fosse disponibilizado um avião para os levar para a Rússia. Horas depois, no entanto, os assaltantes renderam-se às forças policiais e libertaram os últimos seis passageiros.
“Todos os reféns foram libertados, estão bem, e os sequestradores renderam-se” – informou um porta-voz da polícia grega, acrescentando que os dois assaltantes eram albaneses, como se suspeitou desde o início.
O sequestro ocorreu às 05h45, no subúrbio de Pikermi e foram precisas quase cinco horas até à libertação do primeiro passageiro, um homem de 55 anos com problemas cardíacos. Isso aconteceu depois de a Polícia ter imobilizado o autocarro numa barreira de segurança na estrada de Maratona, via nevrálgica de acesso à capital grega. Antes disso, quando as autoridades tentaram tomar o veículo, disparando granadas de fumo, o condutor, o cobrador e uma mulher escaparam aos raptores, que exigiram o regresso do condutor.
Sem critério definido, foram libertados até final da tarde pelo menos 16 passageiros. Os seus testemunhos revelaram que os sequestradores estavam armados com caçadeiras de canos serrados, granadas e explosivos. “Logo que o condutor volte eles vão libertar todas as mulheres”, afirmou à televisão estatal grega, via telemóvel, Stella Matara, uma das reféns. Horas depois, após o anúncio de um ultimato por um homem identificado como ‘Hassan’ até à manhã de hoje, um dos sequestradores disparou um tiro para uma bomba de gasolina próxima.
Diplomatas albaneses e russos foram para o local para negociar um acordo e confirmar se os homens eram albaneses. No final da tarde, num telefonema para a TV ‘Antenna’, um deles garantiu ser russo, mas as autoridades pensaram desde logo que o homem tentou assim evitar represálias sobre a vasta população albanesa da Grécia.
Foi o primeiro sequestro do género na Grécia desde 2000, quando um autocarro com 35 japoneses foi tomado. O incidente acabou com a rendição do sequestrador, mas em 1999 dois outros sequestros levados a cabo por albaneses terminaram com os assaltantes abatidos pela polícia.
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