Investimento de genro de Donald Trump pretende transformar a ilha Sazan num 'resort' de luxo.
Os barcos da Flotilha Global Sumud para Gaza irão partir de Itália com destino a uma ilha albanesa cobiçada para um projeto turístico que envolve um fundo de investimento ligado à família do Presidente norte-americano, foi esta quarta-feira divulgado.
As embarcações irão partir do porto de Brindisi, em Itália, na quinta-feira, dia 20 de agosto, às 22h00 locais (21h00 em Lisboa), com destino à ilha protegida de Sazan, na Albânia.
Os ativistas da flotilha, explicou a organização da iniciativa num comunicado, irão juntar-se ao "protesto popular" da "Revolução Flamingo" que está a contestar "a venda da ilha protegida de Sazan a um fundo de investimento ligado ao empresário Jared Kushner, genro de Donald Trump".
O fundo de investimento pretende transformar Sazan num 'resort' de luxo.
A partida das embarcações será precedida por várias iniciativas que terão lugar em Brindisi na quinta-feira.
Será realizada uma conferência de imprensa durante a manhã na Viale Regina Margherita para apresentar os objetivos e o contexto geopolítico da missão.
Entre os oradores estarão Tony La Piccirella e Yazan Issa, da Global Sumud.
"A Apúlia [região italiana] não foi escolhida ao acaso. A região não é apenas um alvo para vários agentes económicos e projetos", explicaram os organizadores, nomeando o exemplo do "resort Four Seasons na Costa Merlata [na costa de Ostuni]", mas, frisaram, "é também o local onde o navio 'Vlora' [que transportava milhares de emigrantes albaneses] atracou há 35 anos".
"Duas margens ligadas pela mesma luta, ameaçadas por projetos que excluem as comunidades que sempre lá viveram. É por isso que a partida não é apenas simbólica, mas um ato profundamente político e baseado na solidariedade", concluíram os organizadores na mesma nota informativa.
Milhares de pessoas têm protestado na capital do país dos Balcãs, Tirana, contra o projeto de construção do 'resort' de luxo na reserva natural da costa albanesa.
Os protestos contra o projeto, estimado em cerca de quatro mil milhões de euros e associado à filha de Donald Trump, Ivanka, e ao seu marido, Jared Kushner, incluem cartazes com frases como "Ivanka, volta para casa" ou "a Albânia não está à venda".
Os manifestantes também têm exigido a demissão do primeiro-ministro, Edi Rama.
Rama é acusado pelos manifestantes de "favorecer os investidores em detrimento dos interesses do país".
O líder albanês afirma regularmente que não desistirá do projeto e acusa "forças estrangeiras" de incitar as manifestações.
Numa primeira manifestação no final de maio houve incidentes no local, após a colocação de arame farpado para delimitar a zona - entretanto removido - e a divulgação 'online' de vídeos que mostravam máquinas escavadoras na praia da ilha de Sazan.
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