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FMI espera que América Latina beneficie com vacinação, reabertura de atividades e recuperação dos EUA

Um dos Estados com mais relações com o FMI nas últimas décadas tem sido a Argentina, com o qual a instituição está a negociar o refinanciamento da sua dívida de 37 mil milhões de euros.

16 de abril de 2021 às 01:07

O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que a recuperação dos EUA, a aceleração do ritmo de vacinação e a reabertura de alguns setores animem a economia da América Latina, cujo crescimento prevê que seja de 4,6% em 2021.

Esta previsão foi adiantada pelo diretor do Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner, durante uma entrevista à agência Efe, depois da atualização das previsões regionais.

"Estamos a viver uma dinâmica muito importante na economia dos EUA, com um crescimento esperado de 6,4% este ano", disse Werner, quando questionado sobre que fatores vão ser importantes para a recuperação latino-americana, depois de uma contração de sete por cento em 2020.

Werner partilhou assim a análise da economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, que garantiu que as economias brasileira e mexicana vão ser das "principais beneficiadas" com o pacote de estímulos lançado pelo presidente norte-americano, Joe Biden.

Na sua resposta, Werner mencionou o ritmo de vacinações "vai começar a acelerar principalmente na segunda metade do ano", segundo a sua previsão, o que vai permitir fazer uma reabertura de alguns setores "mais ambiciosa" do que o esperado há uns meses.

Apesar da recuperação económica esperada este ano na América Latina, o rendimento por pessoa da região não vai regressar ao seu nível anterior à pandemia antes de 2024.

"O rendimento 'per capita' não vai voltar ao nível de antes da pandemia até 2024, o que vai provocar perdas acumuladas de 30% em relação à tendência anterior à pandemia", disse Werner, na conferência de imprensa, que realçou que a região sofreu a queda "mais pronunciada do mundo".

Pelas suas previsões, a América Latina vai crescer em 2021 a um ritmo de 4,6%, meio ponto percentual acima da previsão feita pelo FMI em janeiro, se bem que, segundo Werner, a persistência da crise sanitária em muitos países "ensombrece as perspetivas de curto prazo".

Um dos Estados com mais relações com o FMI nas últimas décadas tem sido a Argentina, com o qual a instituição está a negociar o refinanciamento da sua dívida de 44 mil milhões de dólares (37 mil milhões de euros).

"Desde o ponto de vista técnico, não vejo qualquer impedimento a eu se possa alcançar um acordo relativamente depressa", garantiu Werner durante a conversa com a Efe.

Em relação aos níveis da dívida da região latino-americana, Werner explicou que o Brasil, cuja dívida pública subiu em janeiro para o equivalente a 89,7% do produto interno bruto (PIB), enfrenta um "dilema": apoiar a economia com políticas públicas, mas com o cuidado de não aumentar o endividamento.

As três grandes economias da América Latina - Brasil, México e Argentina - vão crescer este ano, pelas estimativas do FMI, respetivamente 3,7%, 5% e 5,8%.

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