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Correio da Manhã

Mundo

Foguetão chinês falha durante lançamento

Brasil perdeu satélite ‘Cbers-3'.
9 de Dezembro de 2013 às 20:23

Uma falha no lançamento do foguetão ‘Longa Marcha 4B’, de fabrico chinês, fez o Brasil perder, esta segunda-feira, o seu mais novo satélite, o ‘Cbers-3’, feito em parceria com a China. O lançamento do satélite brasileiro ocorreu com aparente sucesso às 03h26 da madrugada (hora de Lisboa), na Base de Lançamento de Satélites de Taiyuan, na China, a 760 quilómetros da capital do país, Pequim, mas uma hora depois foi anunciado que a missão tinha falhado.

Em contacto esta segunda-feira com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, interior do estado brasileiro de São Paulo, onde o projeto foi desenvolvido em colaboração com especialistas chineses, o Correio da Manhã foi informado de que, àquela hora, ninguém sabia ao certo o que tinha acontecido com o satélite ou a sua localização. Um comunicado enviado pouco depois ao CM dava conta de que uma falha, ainda não especificada, tinha impedido o foguete chinês de atingir a órbita programada e que aquele veículo lançador tinha caído no planeta Terra.

A assessoria do INPE não soube dizer, no entanto, ao CM se o satélite, que custou 51 milhões de euros ao Brasil, tinha caído com o foguetão ou se continuava no ar, mas numa órbita diferente da programada. No comunicado, no entanto, o INPE sugeria mais tarde que o satélite também caiu, ao referir que “avaliações preliminares sugerem que o ‘Cbers-3’ tenha retornado ao planeta.”

TRISTEZA E RETROCESSO

O fracasso no lançamento do satélite, além de um importante retrocesso no setor espacial e científico, provocou muita surpresa, pois inicialmente o lançamento parecia ter ocorrido com sucesso. O foguetão cumpriu uma a uma, sem problemas, todas as etapas previstas no lançamento do satélite, incluindo a mais crítica, que era a abertura dos painéis solares que iriam abastecer as baterias do ‘Cbers-3’, mas depois, subitamente, despenhou-se.

A importância do projeto para o Brasil era tanta que o país enviou à base de lançamentos na China dois ministros – o das Comunicações, Paulo Bernardo, e o de Ciência e Tecnologia, Marco António Raupp –, além do diretor do INPE, Leonel Perondi, entre outros. Em São José dos Campos, cientistas e técnicos que participaram no desenvolvimento do projeto não dormiram para assistirem ao vivo, através de ecrãs gigantes, ao lançamento do satélite.

O ‘Cbers-3’, que apesar do número identificativo era o quarto satélite do género a ser lançado pelo Brasil, em cooperação com a China, ia monitorar toda a superfície brasileira através de quatro câmaras de última geração, duas delas totalmente desenvolvidas no Brasil. As imagens, cada uma delas podendo abarcar até 850 quilómetros com nitidez e detalhes, iam ser usadas na zona agrícola do país, na prevenção de desastres naturais e no acompanhamento das alterações na mancha vegetal do Brasil, nomeadamente prevenindo novos focos de desflorestação na Amazónia.

O novo satélite, que iria substituir o ‘Cbers-02’ e que parou de funcionar em 2010, era tão avançado que permitia monitorar toda a superfície brasileira em apenas cinco dias, quando o satélite que o Brasil usa hoje, o Landsat, da Nasa, EUA, demora 16 dias para fazer as mesmas tarefas. Ainda de acordo com o INPE, durante o lançamento, todos os sistemas do ‘Cbers-03’ mostraram estar em perfeito funcionamento, o que aumentou ainda mais a desolação dos técnicos com a perda do equipamento, perda essa que obrigou a presidente Dilma Rousseff a cancelar o comunicado que já tinha pronto elogiando o sucesso do lançamento.

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