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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Foliões desfilam cobertos de lama no Carnaval

Tradição começou há quase três décadas.

12 de fevereiro de 2018 às 16:52

Numa forma inusitada mas já tradicional de brincar o Carnaval, milhares de foliões, ao invés das luxuosas fantasias dos desfiles do Rio de Janeiro ou de São Paulo, cobriram o corpo de lama antes de desfilarem pelas ruas da cidade de Curuçá, no nordeste do estado brasileiro do Pará, no Brasil. O ritual é uma forma de homenagear a Natureza e de chamar à atenção para as agressões que esta tem vindo a sofrer.

Lama é algo que não falta em Curuçá, visto que a cidade é rodeada por um enorme mangue, uma zona onde proliferam mariscos e vegetações, de onde boa parte da população tira o sustento, quer através da recolha de mariscos quer da exploração do turismo. E é nesse local que começa o ritual, com milhares de pessoas a mergulharem na lama densa e escura, sendo essa a razão pela qual o principal bloco carnavalesco da cidade chama-se "Pretinhos do Mangue".

Depois, totalmente cobertos pela lama, os adeptos começaram a desfilar pelas ruas da cidade, fazendo, ao mesmo tempo, uma brincadeira divertida e ecológica, pois a "fantasia", além de não ter custado nada, não agride o ambiente no final do desfile. Numa outra vertente do Carnaval, os turistas são alertados para a necessidade de preservar, não só a fauna, mas toda a Natureza.

Os carros alegóricos do desfile, como não podia deixar de ser, também foram inspirados pela densa vegetação. O primeiro representa um enorme caranguejo, uma das maiores riquezas da região, e o segundo uma ostra, que, como não podia faltar no meio de tantos sujeitos enlameados, é representada por uma linda jovem local.

No meio de tantas pessoas cobertas de lama preta, uma ala de foliões contrasta pelo colorido, que exalta outra riqueza da região. Cobrem-se com outro tipo de lama abundante na cidade, um tipo de argila avermelhada, conhecida por fazer bem à pele

Mas a famosa fauna em redor do qual a cidade cresceu e se desenvolveu também participa no desfile de uma forma não tão ecológica, mas bastante apreciada pelos foliões. Enquanto o desfile percorre as ruas de Curuçá, há caranguejos que vão sendo preparados, num carro alegórico, para serem distribuídos pelos foliões.

O desfile carnavalesco repete-se há quase três décadas, mas começou por mero acaso. Dois amigos, Everaldo e Sebastião, foram, há 29 anos atrás, ao mangue procurar caranguejos para fazerem um petisco e, ao perceberem que nessa altura os mesmo eram escassos, percorreram várias ruas da cidade totalmente enlameados e exibindo os poucos mariscos apanhados. Várias pessoas começaram a ir atrás destes, começando assim a tradição.

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