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Fomos sequestrados

A situação política em S. Tomé e Príncipe no rescaldo das eleições legislativas do passado dia 26 de Março mantém-se confusa. Ontem, a presidente do Supremo Tribunal de Justiça de S. Tomé e Príncipe, Alice Vera Cruz, confirmou ao Correio da Manhã que militares cercaram o edifício do Tribunal.
15 de Abril de 2006 às 00:00
Terá sido por causa da recontagem de votos que o ministro da Defesa, Óscar Sousa, invadiu o Supremo
Terá sido por causa da recontagem de votos que o ministro da Defesa, Óscar Sousa, invadiu o Supremo FOTO: João Relvas, Lusa
“O ministro da Defesa, Óscar de Sousa, acompanhado do tenente-coronel, Justino Lima, chefe da Marinha, invadiu o tribunal e deu ordens para as forças de segurança da Presidência da República cercarem o edifício” onde cinco juízes, três matemáticos e cinco mandatários dos partidos políticos procediam à verificação dos votos das últimas legislativas.
“Estivemos reunidos na assembleia de apuramento geral e, de repente, ouvimos movimentos e barulho de armas e vimos que não podíamos sair do gabinete. Fomos sequestrados pelo ministro da Defesa, Óscar de Sousa, durante duas horas numa sala, e nem à casa de banho podíamos ir. Ele disse-nos que foi ao tribunal dar um golpe de Estado porque nós estávamos a alterar o resultado das eleições. Conversámos com ele, explicámos que tudo que estava a ser feito era de acordo com a lei. Foi então que ele saiu e deu ordens para a guarda presidencial abandonar o tribunal”, afirmou a magistrada.
Até ontem à tarde, o presidente da República, Fradique de Menezes, não se tinha pronunciado sobre o caso, mas telefonou a Alice Vera Cruz explicando o que se tinha passado. “O presidente Fradique disse-me que o ministro da Defesa não queria fazer mal a ninguém, só queria proteger-nos. Eu nunca pedi protecção ao ministro da Defesa. Não entendo porque disse essa mentira.” Acrescente-se que o governo demarcou-se da situação e acusou o ministro da Defesa, Óscar de Sousa, “de agir à revelia do executivo, criando um clima de instabilidade”. O ‘sequestro’ ocorreu após a coligação Movimento Democrático Força da Mudança-Partido da Convergência Democrática (MDFM/PCD, afecta ao presidente da República, Fradique de Menezes), vencedor das eleições, ter denunciado a existência de “fraude eleitoral” na recontagem, a favor do MLSTP/PSD, que estava no poder.
SOLTAS
VENCEDOR
MDFM/PCD venceu as legislativas com 37,19% dos votos, obtendo 23 dos 55 lugares do Parlamento. MLSTP/PSD, que estava no poder, conseguiu 28,88% e 19 lugares; Acção Democrática Independente atingiu 19,97% e 12 lugares e Novo Rumo, 4,67%, elegeu um deputado.
APELO
O partido União dos Democratas para a Cidadania e Desenvolvimento acusou o presidente da República, Fradique de Menezes, de “ter ordenado o cerco ao edifício do Supremo Tribunal de Justiça” e apelou à comunidade internacional “a ajudar a resolver a situação reinante no país”.
PETRÓLEO
As eleições legislativas de 26 de Março último foram fortemente marcadas pelo factor petróleo. A luta pelo poder é hoje sobretudo a luta pelo controlo das negociações sobre a exploração dos recursos e consequentes receitas. Quatro dos 25 blocos já renderam 60 milhões de euros.
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