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Força conjunta portuguesa regressa após apoiar 20 mil pessoas em Moçambique

Ficaram oito elementos da proteção civil no país para dar "algum apoio" de retaguarda ao hospital de campanha do INEM.
Lusa 2 de Abril de 2019 às 11:59
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Avião comercial aterrou durante a manhã desta terça-feira no aeródromo de Figo Maduro, em Lisboa.
Dez dias depois, com a fase de socorro concluída, a força conjunta portuguesa de auxílio às vítimas do ciclone Idai regressou a Lisboa, tendo prestado assistência a 20 mil pessoas no distrito moçambicano de Buzi, um dos mais afetados.

"A janela do socorro já acabou. Neste momento estamos a entrar ou já entrámos num período de recuperação. O grande vetor que é preciso trabalhar neste momento é a saúde", afirmou o comandante Pedro Nunes, adjunto da Autoridade Nacional de Proteção Civil e comandante da força conjunta de Portugal em auxílio a Moçambique, a bordo do avião onde regressaram os cerca de 70 elementos da missão humanitária do Estado português e que chegou pelas 08h40 ao aeroporto Humberto Delgado, de onde seguiria rebocado até Figo Maduro.

Entre estes, encontravam-se bombeiros voluntários e profissionais da força especial de bombeiros, elementos do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR acompanhados de seis cães, especialistas do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da proteção civil e dois técnicos da EDP que foram ajudar a repor o fornecimento de eletricidade.

"Nós estivemos no terreno cerca de dez dias e teremos assistido muito perto de 20 mil pessoas. À nossa chegada, as águas do rio Buzi começaram a baixar. Havia pessoas que estavam isoladas, sim, mas são bastante resilientes e já não queriam sair da sua comunidade ou da sua área", disse.

"O que nos pediam era que as sustentássemos logisticamente todos os dias e foi isso que fizemos, a partir do módulo de resgate que tínhamos connosco, composto por cinco barcos. Não resgatamos ninguém, mas todos os dias fazíamos o transporte de 1.500 quilos de comida e água para que as pessoas pudessem ficar nos seus locais", descreveu Pedro Nunes.

Numa fase posterior, foi também colocado um sistema de purificação de água para facilitar o acesso da população a água potável.

O comandante salientou que Buzi "foi uma das províncias mais afetadas" pela passagem do ciclone e que quando a missão portuguesa chegou ao local era ainda visível o grau de destruição dos campos agrícolas, das infraestruturas e das casas.

"Rapidamente percebemos que aquelas pessoas tinham sofrido bastante, que o grau de destruição era bastante grande e precisavam de ser ajudadas", destacou, explicando que a ação desta missão decorreu de forma articulada com as autoridades moçambicanas, nomeadamente o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades.

A localidade esteve isolada muitos dias (talvez mais de uma semana, segundo Pedro Nunes) mas quando a proteção civil deixou o local, a estrada que liga Sofala a Buzi já tinha sido reaberta, permitindo restabelecer a ligação por via terrestre e o transporte de pessoas e bens "de forma normal", adiantou.

Em Moçambique ficaram apenas oito elementos da proteção civil para dar "algum apoio" de retaguarda ao hospital de campanha do INEM, que ficou instalado a 50 quilómetros da cidade da Beira, e às autoridades moçambicanas.

"Vamos ver como vai evoluir a situação nos próximos dias e isto definirá o seu regresso", adiantou o responsável da proteção civil.

A retirada das forças de socorro é acompanhada do reforço da assistência médica que tem sido visível nos últimos dias, com a chegada de equipas de vários países, incluindo Portugal, que tem no local, além do hospital de campanha do INEM, um outro da Cruz Vermelha, bem como elementos de outros organizações humanitárias como os Médicos do Mundo.

A missão humanitária regressou num avião da EuroAtlantic, cujas despesas foram financiados pela Jerónimo Martins, o mesmo onde foram transportadas no domingo 33 toneladas de material para equipar uma maternidade, incluindo 1.500 quilos para parto e onde viajaram elementos da Cruz Vermelha e dos Médicos do Mundos para reforçar as equipas que já se encontram no local.

Segundo o diretor de relações exteriores da EuroAtlantic, José Caetano Pestana, este foi o quarto voo da transportadora para a Beira, sem envolver quaisquer lucros.

"O presidente e fundador da EuroAtlantic Tomaz Metello nasceu na Beira. O seu pai foi governador na Beira. A EuroAtlantic não tinha como, à semelhança de outras entidades com ligações a Moçambique, não dizer presente. São voos que estamos a fazer sem qualquer lucro. Este será o quarto voo para a Beira e se for necessário, se Moçambique precisar vamos estar cá", afirmou.

Sem detalhar qual o valor associado às despesas de cada voo, adiantou que envolvem os custos da operação e tempo de imobilização do avião.
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