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Correio da Manhã

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Forca de Saddam já está pronta na Zona Verde

A forca para executar o antigo ditador do Iraque já está pronta. Saddam Hussein, condenado à morte pelo homicídio de 148 xiitas em 1983, deverá ser executado num prazo de cerca de um mês, na ‘Zona Verde’ de Bagdad, onde está situada a sede do governo iraquiano e o alto comando militar das forças da coligação. O Vaticano reiterou ontem a sua oposição quanto à condenação de Saddam à morte e manifestou esperança de que a pena possa ainda ser comutada.
29 de Dezembro de 2006 às 00:00
O líder radical italiano Marco Pannella junto a um cartaz contra a condenação de Saddam à morte
O líder radical italiano Marco Pannella junto a um cartaz contra a condenação de Saddam à morte FOTO: Alessandro di Meo / Epa
O jornal internacional árabe ‘al-Hayat’ cita fontes governamentais para garantir que a forca já está instalada numa área da ‘Zona Verde’ e adianta que a segurança será reforçada no dia da execução, o qual não poderá ter lugar sem antes o presidente Jalal Talabani rubricar a decisão do Alto Tribunal Penal. A sentença foi primeiro confirmada, terça-feira, por um tribunal de recurso, cujo parecer foi ontem publicado na íntegra e não mereceu ainda qualquer comentário do governo.
Algumas fontes consideravam ontem que o enforcamento poderia ter lugar a qualquer momento, inclusive já no próximo dia 2, mas fontes do Ministério da Justiça afirmaram que não é provável que aconteça antes de Fevereiro.
O recolher obrigatório deverá ser declarado em Bagdad e nas províncias mais instáveis do país no dia do enforcamento.
O cardeal Renato Martino, responsável pelo departamento do Vaticano para a Justiça e a Paz, condenou, em entrevista ao jornal ‘La Repubblica’, a sentença de morte, igualmente reprovada pela maioria dos governos ocidentais. “Não se pode pensar em punir um crime com outro. [...] Ninguém pode matar, nem mesmo o Estado”, frisou Martino, mostrando-se confiante de que algo ainda aconteça: “Tenho esperança de que algo impeça [a execução]”.
AZIZ QUER DEPOR
Tariq Aziz, antigo vice-primeiro-ministro de Saddam Hussein, quer depor em Tribunal, antes da execução do deposto ditador iraquiano. Aziz garante ter em sua posse informações muito relevantes e pede para prestar declarações no caso ‘Anfal’, relacionado com a repressão de curdos no Norte do Iraque.
GREVE DE FOME PELO DITADOR
O líder italiano do Partido Radical, Marco Pannella, encetou uma greve de fome para pressionar o Iraque a comutar a sentença do ex-presidente Saddam Hussein para prisão perpétua. No segundo dia da sua iniciativa, Pannella posou junto a um cartaz com a fotografia de Saddam e a inscrição: ‘Será o assassínio de um assassino assassínio? Larguem Saddam’. Refira-se que, além do Partido Radical, todas as outras formações políticas de Itália criticaram a condenação à morte do antigo ditador, considerando a punição inaceitável, pois viola a dignidade da vida humana. O governo do primeiro-ministro, Romano Prodi, condenou igualmente a sentença de morte, embora considerando necessário punir um ditador responsável por um regime implacável que torturou e levou à morte milhares de iraquianos.
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