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Correio da Manhã

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Forças Armadas enviam reforços para Estado brasileiro com polícia em greve

Mais militares patrulham Espírito Santo, apoiados por tanques e helicópteros.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 11 de Fevereiro de 2017 às 15:38
Veículos do Exército patrulham as ruas
Populares revoltados exigem que o governo brasileiro tome medidas firmes para travar a violência
Corpos acumulam-se nas morgues e nos hospitais das principais cidades do estado
Veículos do Exército patrulham as ruas
Populares revoltados exigem que o governo brasileiro tome medidas firmes para travar a violência
Corpos acumulam-se nas morgues e nos hospitais das principais cidades do estado
Veículos do Exército patrulham as ruas
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Corpos acumulam-se nas morgues e nos hospitais das principais cidades do estado

Reforços militares, com mais efetivos do Exército, Marinha e Força Aérea, foram enviados pelo Ministério da Defesa brasileiro para o estado do Espírito Santo, onde a Polícia Militar, responsável pela segurança pública ostensiva, entrou em greve há uma semana. Durante esse período, 137 pessoas foram assassinadas e houve mais de 300 saques a lojas.

Os novos reforços chegaram no final da tarde de sexta-feira e ao longo da manhã deste sábado.

Numa curta declaração ao início da tarde deste sábado em Vitória, capital do Espírito Santo, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que o efetivo enviado pelo governo central já era de 3130 militares. Segundo o ministro, que foi agressivo com os jornalistas e se recusou a responder a perguntas, desse efetivo 300 homens são militares da Força Nacional, um grupo de polícias de elite subordinado ao governo federal, sendo os outros 2830 militares dos três ramos das Forças Armadas.

Ainda segundo Jungmann, o efetivo conta com o apoio de 180 veículos militares, inclusive tanques de guerra, que patrulham as principais ruas de Vitória, o aeroporto e as áreas turísticas. Três helicópteros militares também estão a ser usados para garantir a segurança da população, estando equipados com armamento e potentes câmaras que fazem o levantamento das áreas mais afastadas do centro da cidade e enviam as imagens em tempo real para o centro de controlo militar.

Com isso, e apesar de a polícia manter a greve e os agentes continuarem, pelo menos até ao início da tarde deste sábado amotinados dentro dos quartéis, a capital do estado ensaiou hoje uma tímida tentativa de regresso à normalidade. Algumas lojas abriram (principalmente nas áreas onde há mais presença de militares), os autocarros começaram a fazer pequenos trajetos entre os terminais (apenas nas áreas mais centrais), e nas praias já foi possível ver-se algumas famílias com crianças.

Depois das fortes críticas pela sua omissão de uma semana face a um conflito tão grave, o presidente Michel Temer enviou ao Espírito Santo este sábado, além do ministro da Defesa, também os ministros da articulação Política, do Gabinete de Segurança Institucional, e o ministro-interino da Justiça. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, também se deslocou a Vitória, para se reunir com as autoridades estaduais e com representantes do Ministério Público do Espírito Santo.

Acordo falhado

No final da noite de sexta-feira, o governo estadual tinha anunciado o fim da paralisação, depois de um suposto acordo com associações de polícias, e que os agentes voltariam ao trabalho às sete da manhã deste sábado, hora local. Mas não foi isso que aconteceu e o anúncio do suposto acordo causou ainda mais irritação entre os grevistas.

Mulheres e mães de agentes que, desde sábado passado, bloqueiam os quartéis de todo o estado e impedem os polícias de sair para o patrulhamento, afirmaram este sábado que as associações que se reuniram com o governo e estabeleceram o acordo não representam a grande massa da polícia.

Segundo elas, foi uma manobra do governo estadual e de alguns oficiais da Polícia Militar, que não representam os grevistas e, por isso, a paralisação continua até que os agentes obtenham aumento de ordenado, melhores condições de trabalho e garantia de amnistia pela greve, que o comando da Polícia Militar considera uma revolta armada.

Enquanto o impasse se mantém, continua também o caos no estado e as execuções nas ruas de várias cidades. Houve alguma redução no número de saques a lojas e assaltos nas ruas, mas só nas áreas centrais e nas turísticas (que são patrulhadas pelas Forças Armadas). Nos bairros, principalmente na periferia e em cidades do interior, o caos e o medo continuam.

De sexta para este sábado, segundo informações da Polícia Civil (Judiciária, que não está em greve), o número de pessoas assassinadas no Espírito Santo subiu de 121 para 137. O número de execuções nessas 24 horas foi o mesmo dos dias anteriores, desmentindo a afirmação de Raul Jungmann de que a presença das Forças Armadas tinha acabado com a vaga de assassínios.

Marinha Força Aérea Ministério da Defesa Espírito Santo Polícia Militar Polícia Civil política defesa
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