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Correio da Manhã

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Forças policiais acusadas de matar civis inocentes

As forças policiais da cidade brasileira de São Paulo estão a ser acusadas de extermínio por famílias de suspeitos mortos e por organizações de defesa dos direitos humanos, face ao grande número de pessoas abatidas em apenas seis noites. Neste período, em resposta a ataques do crime organizado, a Polícia matou pelo menos 105 pessoas, o mesmo número de vítimas que, em situação normal, demoraria três meses para ocorrer.
19 de Maio de 2006 às 00:00
Organizações dos Direitos Humanos afirmam que a Polícia usa de violência excessiva contra civis
Organizações dos Direitos Humanos afirmam que a Polícia usa de violência excessiva contra civis FOTO: Maurilio Cheli, Epa
De acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, muitas das vítimas, pelo menos metade de todas as pessoas sumariamente abatidas nos últimos seis dias na capital paulista, não têm até agora qualquer vínculo conhecido com a marginalidade, e quase todas estavam desarmadas.
De acordo com aquelas organizações, em pelo menos 16 casos está provado que as vítimas não têm qualquer ligação com o mundo do crime e foram barbaramente executadas simplesmente porque eram negras, moravam em bairros pobres da periferia e, em muitos outros casos, porque se assustaram ao verem polícias armados a correr na sua direcção e fugiram.
O último caso é o de um cabeleireiro de 29 anos, executado por agentes da Polícia na própria rua onde morava. Dono de um salão de cabeleireiro, ele trabalhava durante o dia e, à noite, fazia um ‘reforço no orçamento familiar’ como empregado num restaurante que ficava aberto até bastante tarde. Ao regressar a casa, já de madrugada, foi surpreendido por um grande número de carros de Polícia, com as sirenes ligadas e com os agentes a dispararem tiros de advertência para o ar. Assustado, o cabeleireiro, que tinha dois filhos, um deles com apenas 20 dias, correu para se refugiar numa porta mas acabou por ser abatido com oito tiros.
O comando das várias Polícias já reconheceu que, num caso ou outro, poderá ter havido precipitação ou excesso, mas lembra que os seus agentes estão no meio de uma guerra, que já vitimou mais de 41 polícias, assassinados a sangue-frio por criminosos, e que os agentes têm que disparar primeiro e perguntar depois...
'MARCOLA' DÁ ENTREVISTA POR TELEMÓVEL
O líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Williams Herba Camacho, mais conhecido por ‘Marcola’, deu uma entrevista por telemóvel à TV Bandeirantes, a partir da cadeia de segurança máxima onde se encontra a cumprir pena. As autoridades brasileiras já solicitaram uma cópia da entrevista e vão investigar como o bandido mais temido do Brasil conseguiu o telemóvel.
Na entrevista ‘Marcola’ adianta que os ataques foram ordenados “porque os direitos dos presos não foram cumpridos, como a suspensão das visitas dos advogados”. ‘Marcola’ negou ter orientado os seus seguidores para assassinar polícias e civis e salientou que não fez qualquer acordo com a Polícia para pôr fim aos ataques.
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