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FREDERICO RECEBEU A NOIVA COM LÁGRIMAS

Numa cerimónia dominada pela emoção, em que nem o noivo conseguiu conter lágrimas quando viu surgir a sua bem-amada, o príncipe Frederico, herdeiro da Coroa da Dinamarca, e a plebeia Mary Elizabeth Donaldson disseram 'sim' perante aproximadamente 800 ilustres convidados provenientes de todo o Mundo. E, apesar de a cerimónia ter sido transmitida em directo pela Televisão nacional, milhares de dinamarqueses encheram as ruas junto à Catedral Vor Frue Kirke, em Copenhaga para saudar os noivos.
15 de Maio de 2004 às 00:00
Vestido de traje de gala da Marinha, o príncipe Frederico chorou quando viu a sua noiva encaminhar-se para ele na catedral. Acompanhada pelo pai, que sendo escocês não dispensou o 'kilt', Mary apareceu serena e sorridente, envergando um elegante vestido cor de marfim feito em cetim e um longo véu em renda irlandesa centenária, usado pela avó do noivo.
A cerimónia foi presidida pelo bispo de Copenhaga, Erik Svendsen, que na homilia fez questão de lembrar aos noivos que 'nada no mundo real é tão simples como nos contos de fadas'.
Seguiu-se o momento mais esperado pelas milhares de pessoas que, agitando bandeiras australianas e dinamarquesas, se acotovelavam nas ruas desde a catedral até ao Palácio Amalienborg, onde decorreu o banquete: numa carruagem puxada pelos cavalos, o casal real saudou os seus conterrâneos, que o receberam com emocionados vivas. "Ela é boa para Frederico e boa para o povo", gritou entusiasmada Annie Jensen, uma dinamarquesa que tirou folga só para poder cumprimentar os noivos. "Ela vai representar a Dinamarca e dar uma boa imagem do nosso país no estrangeiro, tal como a rainha Margarida e o príncipe Henrique", acrescentou ainda. "Chorei quando vi Frederico a chorar", contou emocionada uma outra dinamarquesa.
FORTE SEGURANÇA
Estas manifestações de carinho ocorreram no meio de uma segurança sem precedentes na História moderna da Dinamarca, já que foram mobilizados para este evento nada menos do que um terço dos 10 mil agentes que compõem a força policial do país. Refira-se que por razões de segurança não foram divulgados nem o programa pormenorizado da boda nem mesmo a lista de convidados.
A família real goza de grande popularidade na Dinamarca e a ex-agente imobiliária soube conquistar os dinamarqueses com a sua simplicidade, elegância e a facilidade com que aprendeu a língua dinamarquesa. Para casar com o herdeiro da Coroa dinamarquesa, Mary Donaldson teve de renunciar à sua nacionalidade australiana e converter-se à Igreja Luterana.
Nascida na ilha australiana da Tasmânia e formada em Direito, Mary Donaldson, de 32 anos, conheceu Frederico, de 35 anos, no bar 'Slip Inn' em Sydney durante os Jogos Olímpicos de 2000, ignorando nessa altura que ele era príncipe herdeiro da Dinamarca. O romance aconteceu logo a seguir, mas o casal tentou, a todo custo, mantê-lo em segredo, com o príncipe a fazer visitas secretas à Austrália. Mas uma revista acabou por descobrir o segredo e, a partir daí, Mary teve de aprender a lidar com as luzes da ribalta, sempre 'perseguida' por jornalistas das revistas cor-de-rosa, que tentaram, em vão, encontrar algo de embaraçoso sobre a sua vida particular.
Numa rara entrevista, Mary, filha de um professor de matemática, considerou o seu casamento um 'conto de fadas da era moderna' e prometeu garantir o futuro da família real dinamarquesa, a mais antiga da Europa. Quando Frederico suceder à sua mãe, a rainha Margarida, Mary será, se Frederico assim o desejar, a primeira australiana a tornar-se rainha.
SOBRINHOS DOS MESMOS TIOS
Entre as casas reais que se fizeram representar em Copenhaga, a de Espanha assumiu natural destaque, com a presença do herdeiro da coroa, Felipe, e da sua noiva, Letizia Ortiz. Juntamente com a rainha Sofia e as infantas Elena e Cristina (e respectivos maridos), os noivos espanhóis deslumbraram, melhor dizendo, a ex-jornalista brilhou no seu esplenderoso vestido vermelho fogo. Aliás, apesar da proximidade da boda espanhola, Felipe não poderia faltar em Copenhaga, atendendo ao parentesco com o também herdeiro Frederico. De facto, o Felipe é sobrinho de Constantino da Grécia e Ana Maria, irmã da rainha dinamarquesa. Por seu turno, Frederico é sobrinho de Ana Maria e Constantino, irmão da rainha Sofia de Espanha.
Recorde-se que o tão aguardado casamento espanhol é já no próximo dia 22, em Madrid. Tal como aconteceu na capital dinamarquesa, o aparato de segurança é já visível um pouco por toda a cidade, que se encontra já engalanada para a boda. São esperados cerca de 1700 convidados, entre os quais D. Duarte Pio de Bragança e D. Isabel de Herédia, que também estiveram ontem em Copenhaga.
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