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Correio da Manhã

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Frio extremo congela estradas e até asas de aviões no Brasil

Dezenas de cidades brasileiras registaram na madrugada desta sexta-feira novos recordes de temperaturas negativas.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 30 de Julho de 2021 às 20:45
Frio extremo no Brasil
Frio extremo no Brasil FOTO: Getty Images

A vaga de frio extremo que se abateu sobre várias regiões do Brasil desde quarta-feira e só deve começar a atenuar-se a meio da próxima semana, a mais intensa em várias décadas, está a produzir situações absolutamente inusitadas num país que, mundo fora, é conhecido como um paraíso tropical. No sul e no sudeste, dezenas de cidades tiveram na madrugada desta sexta-feira novos recordes de temperaturas negativas, e o frio foi tão intenso que interrompeu o tráfego rodoviário e até aéreo.

No Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, cidade vizinha a Curitiba, capital do estado do Paraná, vários voos tiveram de ser cancelados ou adiados por horas esta sexta-feira devido ao frio. Com temperaturas no final da madrugada inferiores a dois graus negativos, parte das asas de diversos aviões congelaram e impediram partidas, por exemplo, para São Paulo e para Porto Alegre, esta última a capital do estado do Rio Grande do Sul.

Em Santa Catarina, estado famoso, entre outras coisas, pelas belas praias de Florianópolis, a sua capital, o frio foi ainda mais rigoroso. Em Urupema e Bom Jardim da Serra, na região serrana, foram registadas temperaturas de nove graus negativos, que, com o vento, faziam a sensação térmica, aquilo que as pessoas realmente sentem, chegar a 15 graus abaixo de zero, houve farta queda de neve e estradas congelaram e foram interrompidas por motivo de segurança.

A cidade de São Paulo, onde temperaturas tão baixas não são comuns, esta sexta-feira voltou a atingir um novo recorde de frio, com os termómetros oficiais marcando inusitado um grau positivo, e uma sensação térmica, principalmente na periferia, de quatro graus abaixo de zero. O estado de Minas Gerais também bateu recorde de frio, e no Rio Grande do Sul mais de 30 cidades viveram o pou4co comum espetáculo da neve.

Se tudo isso é um atrativo para a legião de turistas que nos últimos dias rumaram para as cidades do sul do Brasil para verem neve e desfrutarem das comidas e bebidas típicas do frio, essas temperaturas extremas são também, por outro lado, uma tragédia ainda maior para quem não tem um teto para se abrigar. Por isso, por todo o Brasil, igrejas abriram as portas para receberem sem abrigo durante as geladas madrugadas e improvisaram cozinhas onde voluntários garantiram ao menos uma refeição quente aos mais carenciados.

Na cidade de São Paulo, onde dezenas de milhar de pessoas vivem nas ruas, inclusive famílias inteiras, com idosos e crianças, o governo do estado improvisou abrigos em estações do metropolitano para receber centenas de pessoas carenciadas. Lá, os sem abrigo tiveram à sua disposição uma cama limpinha, refeições quentes e água, puderam usar casas de banho químicas e receberam roupas contra o frio.

A Prefeitura, ou seja o governo municipal, reforçou os abrigos já existentes com mais 900 vagas, e montou grandes tendas de acolhimento emergencial em cinco praças da cidade onde há grande concentração de sem abrigo. Nessas tendas, eles receberam roupas de frio doadas pela edilidade e por empresários, puderam alimentar-se e até consultar-se com equipas médicas.
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