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Correio da Manhã

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Fuga levou à morte mãe e quatro filhos

Ao ver a aldeia cercada pelas chamas, Athanasia Paraskevopoulou pegou nos quatro filhos, enfiou-os no carro e tentou a fuga. Não andou mais do que algumas centenas de metros. O seu corpo foi encontrado no interior do carro completamente calcinado. Athanasia estava agarrada aos filhos, como que a tentar protegê-los das chamas. Foi uma das 23 vítimas da desesperada fuga de Artemida, aldeia que ficou conhecida como o ‘crematório’. Se tivesse ficado, Athanasia tinha sobrevivido – a sua casa escapou incólume.
29 de Agosto de 2007 às 00:00
23 pessoas perderam a vida ao tentar fugir da aldeia de Artemida
23 pessoas perderam a vida ao tentar fugir da aldeia de Artemida FOTO: John Kolesidis/Reuters
Quando as chamas começaram a aproximar-se da aldeia, na sexta-feira, os cerca de cem habitantes juntaram-se na pequena praça para decidir o que fazer. A maioria optou por ficar para tentar salvar as casas, mas um pequeno grupo, no qual se incluía Athanasia e os filhos, decidiu fugir.
Uma caravana de veículos deixou a aldeia pela única estrada, mas ao chegar a uma encruzilhada, alguns seguiram para cima, os outros para baixo. Os primeiros salvaram--se, os segundos não tiveram a sorte do seu lado. A algumas dezenas de metros do cruzamento, o veículo que seguia na frente colidiu com um carro dos bombeiros que vinha na direcção oposta. Com a estrada bloqueada, as chamas cercaram rapidamente os veículos. Não houve sobreviventes entre as 23 pessoas que tentaram a fuga na ‘caravana da morte’. Athanasia morreu agarrada aos filhos, três meninas de 15, 12 e dez anos, e um menino de cinco.
Artemida foi o local onde mais pessoas perderam a vida nos gigantescos incêndios que assolam a Grécia, e que já causaram 64 mortos.
SOLTAS
25 FRENTES
Os bombeiros combatiam ontem 25 frentes activas de incêndio, mas, com a ajuda de meios aéreos, conseguiram controlar alguns dos maiores fogos.
PROTESTOS
Mais de duas mil pessoas manifestaram-se na segunda-feira à noite em Atenas para exigir a demissão do governo, que acusam de incompetente pela reacção tardia e desorganizada à tragédia.
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