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"O passaporte mudou a minha vida": Fugiu de relação abusiva e em quatro anos visitou mais de 40 países

Silvinha Mantovani acredita que o passaporte lhe salvou a vida e conta alguns truques para viajar com pouco dinheiro.
Marta Ferreira 16 de Agosto de 2019 às 16:28
Silvinha Mantovani
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Silvinha Mantovani
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Silvinha Mantovani
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Silvinha Mantovani
Silvinha Mantovani
"O passaporte mudou a minha vida". É desta forma que Silvinha Mantovani, de 41 anos, descreve uma das decisões que a fez mudar a visão que tinha do mundo. Aos 36 anos largou tudo, fugiu de uma relação tóxica e tomou uma decisão: Conhecer 40 países antes dos 40 anos. 
Quando começou já contava com 12 países visitados e em pouco mais de quatro anos não só cumpriu o seu objetivo, como o superou. 
Silvinha falou com o Correio da Manhã e desvendou um pouco da sua história, nem sempre fácil, que a fez lutar pelo sonho de viajar. 

"Comecei a trabalhar com cerca de nove anos. Vendia Avon para as vizinhas da minha mãe, fazia tapetes artesanais para vender, trabalhei na roça e na colheita do algodão", começa por contar relevando que acabou por conseguir um emprego fixo aos 13 anos numa loja do "Jogo do Bicho", o equivalente à lotaria em Portugal.

De acordo com a mulher de 41 anos, de nacionalidade brasileira, o trabalho em tenra idade fez com que aprendesse a lutar pelo que ambicionava, pelos seus sonhos. 

Silvinha nasceu no seio de uma família humilde, com um pai violento que abusava do consumo de álcool e, por isso, desde cedo que queria ganhar asas e 'voar' para longe daquele mundo.

"Com 15 anos os meus sonhos eram diferentes das outras adolescentes da minha idade. Eu não sonhava com namorado nem esse tipo de coisas. Por causa do meu pai violento, eu sonhava realmente em ir embora de casa, sonhava em sair daquele pesadelo", revela ao CM.

Com a ajuda da mãe, a viajante formou-se em educação e, já com 23 anos, ingressou na faculdade de direito que pagou com dificuldade.

Silvinha não ambicionava ficar em Lobato, uma pequena cidade no interior do Paraná, Brasil. Queria mais. Por isso, após ter concluído os estudos em direito e estar a trabalhar numa empresa de cursos de pós-graduação tomou uma decisão: rumar a Espanha. 

O objetivo era fazer um curso de pós-graduação, aprender bem a língua e depois ir para Londres, onde pretendia ficar por seis meses para só então voltar para o Brasil. O destino trocou-lhe as voltas e anos depois, formada em direito, e a morar em Espanha, acabou por ficar presa a um relacionamento abusivo. 

"Descobri pelos árduos caminhos do destino e da pior maneira possível o que era violência psicológica e relacionamento abusivo", conta. "Começou como um relacionamento aparentemente normal, mas com o tempo ele foi mostrando quem era realmente", continuou Silvinha. 

"Foi difícil sair desta relação. Imagine ser ameaçada o tempo todo, e até a sua família ser ameaçada de morte. Fica-se totalmente desorientada. Não desejo a ninguém o que eu passei", afirma.

Porém, foi essa relação que a fez mudar. Mais uma vez, a vida da mulher brasileira deu uma volta de 180 graus. Fugiu do então companheiro, passou uma temporada na Irlanda até que, inspirada no livro "Comer, Rezar e Amar", deu início ao projeto da sua vida:"40 antes dos 40".

"Inspirada na autora do livro, comprei um pacote de voo+hotel numa promoção e fui parar a Roma. Eu estava com 36 anos, solteira, sem filhos, com a vida profissional totalmente desestruturada e a sociedade não te prepara para isso. Em Roma, totalmente imersa na minha dor, decidi que queria fazer algo de mim para mim, que não incluísse um homem. (...) Prometi que visitaria 40 países antes dos 40 anos. Coloquei isso como meta de vida e tudo o que fazia era a pensar em chegar a essa meta", revela.

Silvinha afirma que essa transição foi "libertadora" mas muito difícil por estar a fugir daquele relacionamento.

"
Tive que mudar de país, de telefone, de e-mail, de vida praticamente. Tive que me reinventar por completo", desabafa. Atualmente, com 41 anos, esta mulher já visitou 52 países sendo que em Portugal já esteve duas vezes e afirma adorar o País.

Mas como se viaja com poucos meios financeiros? Silvinha afirma que o "
segredo de viajar com pouco dinheiro é muito planeamento".

"Ter paciência, planeamento, viajar na época baixa, ficar de olho nas promoções, escolher destinos mais baratos e não ter frescura quanto ao alojamento" (SIC), aconselha a antiga advogada.

O próximo destino na lista de Silvinha é f
azer o caminho de Santiago de Compostela e, após ter superado a meta dos "40 antes dos 40", a mulher afirma que a próxima meta poderá ser "100 antes dos 50".

"Já estou no país número 52, por isso quem sabe", conclui. 

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