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Correio da Manhã

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General Adam demite-se

O general israelita Udi Adam, que comandou a fase inicial da recente ofensiva militar contra o Líbano, apresentou ontem a sua demissão, tornando-se a primeira ‘vítima’ do descontentamento gerado pelo que muitos israelitas consideram o ‘fracasso’ da guerra contra o Hezbollah.
14 de Setembro de 2006 às 00:00
Adam, comandante da Região Militar Norte de Israel, “pediu para ser liberado das suas funções, e o chefe do Estado-Maior, general Dan Halutz, aceitou o pedido”, afirma o comunicado do Exército. A demissão do general Adam já era esperada, devido às fortes críticas sobre o seu comando na fase inicial da ofensiva contra o Hezbollah. Para além da enorme falha de segurança que permitiu o sequestro de dois militares israelitas e a morte de outros oito no raide do Hezbollah que deu origem à guerra, a 12 de Julho, numa zona sob o seu comando directo, o general foi ainda duramente criticado pela forma excessivamente branda como conduziu as operações militares.
As críticas levaram a que, a meio da campanha no Líbano, fosse afastado do comando directo das tropas e substituído pelo general Moshe Kaplinsky, vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
Curiosamente, tinha sido o próprio general Adam a delinear a estratégia usada na campanha contra o Líbano. O militar, que assumiu o comando da Região Militar Norte em Outubro do ano passado, rompeu com as regras anteriores, que estipulavam que o comandante regional apenas comandava as suas forças terrestres, deixando o comando das outras forças, nomeadamente, meios aéreos e navais, para os respectivos Estados-Maiores. De acordo com a nova estratégia que implementou e foi o primeiro a aplicar no terreno, o comandante regional passou a ser responsável por todas as forças no terreno, deixando para o Estado-Maior apenas as questões políticas.
Esta estratégia não podia ter tido uma pior estreia. A campanha no Líbano foi considerada um autêntico fracasso, uma vez que, apesar da superioridade de meios, o Exército israelita não conseguiu libertar os soldados capturados nem sequer travar os ataques de ‘rockets’ do Hezbollah contra o norte de Israel. O governo israelita, recorde-se, abriu um inquérito para apurar o que correu mal na guerra contra o Hezbollah, sendo o testemunho do general Adam um dos mais aguardados.
O ministro da Defesa, Amir Peretz, afirmou ontem que Israel tem para com o general Adam “uma grande dívida” e afirmou que a demissão de um militar tão importante “não pode ser ignorada”.
PERFIL
O general Udi Adam iniciou a carreira militar em 1976, depois de ter estudado Psicologia e Sociologia em Israel e Estudos Estratégicos em Paris. Passou pelo Corpo de Blindados e comandou a Divisão de Logística antes de ser nomeado comandante da Região Militar Norte. É filho do general Yekutiel Adam, vice-Chefe do Estado-Maior, morto no Líbano em 1982 e considerado o ‘cérebro’ do raide de Entebbe e da destruição do programa nuclear iraquiano.
AMNISTIA ACUSA HEZBOLLAH
A Amnistia Internacional (AI) acusou o Hezbollah de “crimes de guerra” pelos ataques deliberados contra civis israelitas durante a recente guerra do Líbano. Num relatório hoje divulgado, sob o título ‘Debaixo de Fogo: os Ataques do Hezbollah contra o Norte de Israel’, a AI relembra que pelo menos 43 civis israelitas, incluindo sete crianças, perderam a vida, e entre 350 mil e 500 mil pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas devido aos ataques com mísseis ‘katyusha’ do Hezbollah contra o norte do território israelita, afirmando que os mesmo podem ser considerado como ataques deliberados contra civis e ataques indiscriminados, ambos descritos como “crimes de guerra” ao abrigos das leis internacionais.
A Amnistia Internacional acusa ainda ambos os lados do conflito de violação das leis humanitárias internacionais e apela à abertura de um inquérito “global, independente e imparcial” por parte das Nações Unidas.
SOLTAS
TROCA DE PRISIONEIROS
O ministro israelita da Defesa, Amir Peretz, admitiu ontem que Israel poderá libertar o terrorista do Hezbollah Samir al-Qantar, detido há 26 anos, em troca dos dois soldados sequestrados pelo movimento.
RETIRADA A BOM RITMO
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, diz que Israel fez “progressos significativos” na retirada das suas tropas do Líbano.
BERLIM ENVIA TROPAS
O governo alemão aprovou ontem o envio de 2400 soldados para o Líbano, numa decisão considerada “histórica”.
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