Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
6

Giorgia Meloni vence as legislativas em Itália e direita tem maioria

Sondagens à boca das urnas dão a vitória ao partido de extrema-direita Irmãos de Itália, que irá governar em maioria com a Liga e a Forza Itália.
Ricardo Ramos 26 de Setembro de 2022 às 01:30
Giorgia Meloni
Giorgia Meloni FOTO: Lusa/EPA
As sondagens à boca das urnas apontavam este domingo para a vitória de Giorgia Meloni e da coligação de extrema-direita nas eleições Legislativas italianas, muito provavelmente com maioria absoluta no próximo Parlamento, confirmando-se assim o desfecho mais temido pela Europa.

De acordo com a sondagem avançada logo após o fecho das urnas pela RAI, o partido Irmãos de Itália, de Meloni, deverá obter entre 22% e 26% dos votos, seguido pela Partido Democrático, de Enrico Letta, com 17% a 21%. Em terceiro lugar surgia o Movimento 5 Estrelas, do ex-PM Giuseppe Conte, com 13,5% a 17,5%, seguido pela Liga, de Matteo Salvini, com 8,5% a 12,5%, pela coligação Azione-Italia Viva com 6,5%-8,5%, e pela Forza Itália, de Silvio Berlusconi, com 6%-8%.

Os resultados oficiais só esta segunda-feira serão conhecidos, mas, a confirmarem-se estes dados, Giorgia Meloni, antiga militante neofascista de 45 anos, será a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra em Itália e a coligação de extrema-direita formada pelos Irmãos de Itália, Liga e Forza Itália terá maioria absoluta no Parlamento, com 227 a 257 lugares, fazendo do próximo Governo o Executivo mais à direita no país desde o final da Segunda Guerra Mundial, num verdadeiro terramoto político que abala não só a Itália, mas também a Europa.

As eleições antecipadas de ontem foram convocadas após a demissão do primeiro-ministro Mario Draghi, que liderou um Governo de união dos principais partidos italianos - com exceção dos Irmãos de Itália - durante 18 meses. A coligação chegou ao fim após a saída do Movimento 5 Estrelas, no que na altura foi visto como uma decisão egoísta e eleitoralista de Giuseppe Conte, que voltou a mergulhar Itália num período de instabilidade política.

Pormenores
Meloni foi a última a votar
A líder dos Irmãos de Itália foi a última dos candidatos a votar, já de noite, em Roma. Os seus parceiros de coligação Matteo Salvini e Silvio Berlusconi votaram ambos de manhã em Milão e Enrico Letta, do Partido Democrático, votou de manhã em Roma.

51 milhões de eleitores
Cerca de 51 milhões de eleitores estavam registados para votar nas eleições de ontem, que decorreram entre as 07h00 e as 23h00 (menos uma hora em Lisboa).

Sistema eleitoral favorece coligações
O novo sistema eleitoral italiano, usado pela primeira vez em 2018, favorece as coligações, já que os partidos que se apresentam sozinhos às urnas precisam de obter pelo menos 3% dos votos para terem representação parlamentar. No caso das coligações, o limite mínimo é de 10%, mas como são formadas por vários partidos é mais fácil atingir aquela marca. Dos 400 lugares da câmara baixa, 147 são atribuídos por círculos uninominais, 245 por representação proporcional e oito pelo estrangeiro.
Ver comentários