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Correio da Manhã

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Golpe no Acordão

O ‘Acordão’, um arranjo feito entre todos os partidos suspeitos de corrupção para manter Lula na presidência, evitar punições aos líderes e ‘crucificar’ apenas acusados de menor destaque para enganar a opinião pública, já deu o primeiro resultado, mas foi um verdadeiro ‘tiro no pé’.
31 de Julho de 2005 às 00:00
‘Acórdão’ visa manter Lula na Presidência apesar dos sucessivos escândalos
‘Acórdão’ visa manter Lula na Presidência apesar dos sucessivos escândalos FOTO: Jamil Bittar/Reuters
Um desses acusados de menor expressão política, o assessor parlamentar João Carlos Genu, vendo que a coisa podia complicar-se para o seu lado, foi à Polícia Federal e confirmou que retirou de bancos em Brasília grandes somas de dinheiro e as entregou em malas aos líderes do Partido Progressista (PP), sempre a pedido do seu chefe, José Janene, líder do grupo parlamentar.
A confissão de Genu, que foi chefe de gabinete de Janene e estava desaparecido há 40 dias, foi um balde de água fria no ‘Acordão’, costurado e defendido até publicamente pelo presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcante, também do Partido Progressista. O pacto interessaria também a alguns partidos da oposição, que nos últimos dias passaram de acusadores a acusados, ao ver nomes seus na lista dos que receberam generosas quantias ilegais do publicitário Marcos Valério, o mesmo que financiou o ‘saco azul’ do Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula.
O próprio presidente do Supremo Tribunal Federal, que quinta-feira rejeitou um pedido de prisão contra Valério, disse que, sejam quais forem as denúncias, o que deve prevalecer é a governabilidade, ou seja, a manutenção de Lula no cargo. Defensora da apuração total das denúncias, a senadora Heloísa Helena, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), criticou Jobim, dizendo que ele devia preservar a Constituição, que prevê a destituição do presidente da República em caso de participação ou omissão em actos ilegais, e não lutar pela permanência de Lula no poder.
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