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Correio da Manhã

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Governador do Rio de Janeiro afastado por corrupção

Wilson Witzel é acusado de desviar fundos destinados à compra de medicamentos e equipamentos para o combate à pandemia.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 29 de Agosto de 2020 às 09:31
Wilson Witzel
Wilson Witzel FOTO: Reuters
O governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi esta sexta-feira afastado temporariamente do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça por suspeitas de desvio de dinheiros públicos na compra de equipamentos de combate ao coronavírus.

Witzel é acusado de ter contratado empresas já condenadas por corrupção para assumirem papéis de relevância no combate à Covid-19, nomeadamente atribuindo-lhes a gestão de hospitais de campanha que custaram uma fortuna aos cofres públicos e, ou não saíram do papel, ou nunca funcionaram a contento.

O governador também é acusado de fazer parte de um grande esquema de corrupção montado no próprio governo estadual com a cumplicidade de empresários, que sobrefaturou equipamentos de combate à doença e que, em vários casos, nem eram indicados para o combate ao coronavírus.

Ao justificar o afastamento temporário de Witzel do cargo, o juiz Benedito Gonçalves cita o risco de destruição de provas.

Paralelamente, a Polícia Federal cumpriu esta sexta-feira 16 mandados de detenção e 82 de busca e apreensão contra suspeitos de participação no esquema de corrupção, tendo inclusive realizado buscas no escritório da mulher do governador, Helena Witzel.

Não foi emitido nenhum mandado de detenção contra o chefe do executivo fluminense nem contra a mulher dele, mas outra figura de peso na política do Rio de Janeiro, o Pastor Everaldo, presidente do Partido Social Cristão, pelo qual Witzel foi eleito, está entre os detidos.

Em discurso no palácio do governo, Witzel desafiou o Tribunal, o MP e a polícia a apresentarem uma única prova contra ele, afirmando que ninguém, ainda para mais um governador eleito, pode ser afastado de funções pela mera presunção de que um dia vá cometer crimes, e acusou a família Bolsonaro de estar por detrás da ação.

Segundo Witzel, a procuradora que comanda a investigação que levou ao seu afastamento é notoriamente ligada ao presidente Jair Bolsonaro e aos filhos e, além disso, acusou, o presidente pretende destruí-lo para evitar que se candidate às presidenciais de 2022.
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