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Correio da Manhã

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Governante preso ensinava a burlar

Novas revelações sobre o alegado esquema de desvio de fundos no Ministério do Turismo brasileiro complicaram ainda mais a situação do secretário da pasta, Frederico da Silva Costa, preso na terça-feira, pela Polícia Federal, por corrupção. Em escutas divulgadas ontem pela imprensa, o secretário é apanhado a ensinar a um empresário como burlar o governo.
12 de Agosto de 2011 às 00:30
Escândalo protagonizado pelo Secretário do Turismo, Frederico da Silva Costa, fez cair popularidade da presidente Dilma Rousseff (na foto)
Escândalo protagonizado pelo Secretário do Turismo, Frederico da Silva Costa, fez cair popularidade da presidente Dilma Rousseff (na foto) FOTO: Nacho Doce/Reuters

Na conversa telefónica, gravada pela polícia com autorização judicial, Frederico Costa orienta o empresário Fábio de Mello na criação de uma empresa de fachada, num local moderno e vistoso, para impressionar os técnicos do Ministério do Turismo que iriam analisar se a empresa tinha condições de desencadear acções de formação turística ao abrigo de um convénio pago pelo ministério. Fábio de Mello, também preso na terça-feira, é dono de uma empresa subcontratada para desenvolver essa formação, que nunca saiu do papel, através da ONG Ibrasi, de Luís Machado, também acusado.

Dos cerca de 7,5 milhões de euros recebidos pela Ibrasi para formação de agentes turísticos, pelo menos 4,5 milhões foram desviados através de empresas de fachada como a que Frederico ensinou Mello a criar. E este é apenas um dos casos que estão sob suspeita no Ministério do Turismo, no qual foram presas outras quatro funcionárias, que elaboravam relatórios técnicos confirmando a idoneidade dessas empresas, apesar de, em muitos casos, elas nem existirem.

MINISTRO DIZ QUE "NÃO É PORTEIRO"

Outro caso que está a abalar a confiança no governo de Dilma é o dos alegados desvios no Ministério da Agricultura, cujo número dois, Milton Ortolan, foi na semana passada demitido. Ontem, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, voltou a desmentir que haja corrupção na sua pasta e, sobre a denúncia de que um lobista, Júlio Froes, teria livre acesso ao ministério, onde até redigiria editais de licitação a favor dos seus clientes, respondeu, irónico, que um ministro não é porteiro, para ficar a ver quem entra e sai: "Não posso assumir a responsabilidade de controlar a portaria", afirmou.

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