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Governo aberto a taliban

O comandante das forças da NATO no Afeganistão, general Stanley McChrystal, admitiu numa entrevista ao ‘Financial Times’ que apoia a inclusão dos taliban num governo afegão após assinado um acordo de paz. Para permitir as negociações, a ONU vai retirar os nomes de alguns líderes taliban da sua lista de terroristas.
26 de Janeiro de 2010 às 00:30
Os taliban poderão ver-se obrigados a aceitar um acordo com Karzai
Os taliban poderão ver-se obrigados a aceitar um acordo com Karzai FOTO: KAMAL SADAT/REUTERS

"Creio que qualquer afegão pode desempenhar um papel , desde que esteja focalizado para o futuro e não para o passado", afirmou McChrystal quando lhe perguntaram se vê com bons olhos a inclusão dos taliban num futuro governo.

A estratégia do general norte--americano é usar os 30 mil militares do seu país mais os 7000 dos aliados para abrir uma zona de segurança que abranja 85% da população nas províncias de Kandahar e Helmand, os bastiões dos taliban. Isso permitiria não só o desenvolvimento do comércio mas também que o governo de Hamid Karzai estendesse até ali o seu raio de acção. Desta forma, os taliban ficariam de tal modo debilitados que os seus líderes seriam forçados a aceitar algum tipo de acordo com o governo afegão. "A minha missão não é estender o ramo de oliveira, mas sim criar condições para que as pessoas nas posições certas possam ter opções", comentou o general norte--americano.

Já na mira deste acordo, o presidente afegão propôs ontem a retirada dos nomes de alguns dos cerca de 144 líderes taliban da sua lista negra. As Nações Unidas, dispostas a desbloquear as negociações, já anunciaram que vão fazê-lo. Recorde-se que Hamid Karzai afirmou recentemente que o seu plano para persuadir combatentes taliban a regressarem a uma vida normal é oferecer-lhes dinheiro e emprego.

Esta sua estratégia será analisada na Conferência sobre o Afeganistão, em Londres, na próxima quinta-feira. McChrystal espera que os aliados apoiem, na conferência, a sua ambiciosa estratégia, apesar do aumento de 70% no número de baixas aliadas no ano passado e da falta de credibilidade do actual executivo afegão. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou ontem que não está disposto a enviar mais tropas.

PRIMEIROS MILITARES LUSOS PARTEM AMANHÃ PARA CABUL

O primeiro grupo de militares portugueses, entre 25 e 28 comandos, deverá partir amanhã para o Afeganistão com a missão de preparar a ida dos restantes, um total de 163 tropas, que estarão no terreno até finais de Fevereiro. A partida estava prevista para hoje, mas foi adiada porque o avião que os vai transportar terá de atravessar espaços aéreos de vários países e ontem faltava ainda a autorização do Uzbequistão. Segundo adiantou ao CM o tenente-coronel Helder Perdigão, os militares, metade dos quais já conhecem o terreno, vão ficar em Camp Warenhouse, em Cabul, e integrar uma Força de Reacção Imediata, que pode actuar em qualquer lugar . É uma missão que acarreta riscos, sendo que os maiores perigos são os suicidas e engenhos explosivos improvisados, os chamados IED.

DISCURSO DIRECTO

"NÃO VEJO OUTRA SAÍDA": Gen. Loureiro dos Santos, Ex-CEME (r)

Correio da Manhã – A estratégia de McChrystal é viável?

General Loureiro dos Santos – A guerra é o terreno da incerteza. É uma estratégia muito arriscada, mas eu não vejo outra saída. Considero provável que se venha a alterar a relação de forças, favorável às forças da NATO e não aos taliban, permitindo uma reconciliação nacional. Se as forças estrangeiras saírem derrotadas, a al-Qaeda e o extremismo violento vão ganhar um ânimo extraordinário.

– Os taliban aceitariam um acordo?

– A ideia de McChrystall é que fiquem numa situação de desvantagem e, por conseguinte, em condições de negociar uma conciliação.

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