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Correio da Manhã

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Governo congela subida de preços

O governo moçambicano recuou e decidiu ontem congelar os recentes aumentos dos bens essenciais, que estiveram na origem dos violentos protestos que, na semana passada, fizeram, pelo menos, 13 mortos em Maputo.
8 de Setembro de 2010 às 00:30
Aumento do preço dos bens essenciais, incluindo o pão, esteve na origem dos protestos da semana passada
Aumento do preço dos bens essenciais, incluindo o pão, esteve na origem dos protestos da semana passada FOTO: António Silva/Lusa

A decisão foi anunciada após uma reunião extraordinária do governo, na qual foi acordado manter os preços antigos do pão, arroz, água e electricidade. "O objectivo central do governo é o combate à pobreza, para melhorar as condições de vida do povo em ambiente de paz, harmonia e tranquilidade", afirmou, no final da reunião, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia.

Na semana passada, recorde-se, o governo tinha-se mostrado inflexível quanto aos aumentos, garantindo que não haveria qualquer recuo. Ontem de manhã, no entanto, o presidente, Armando Guebuza, já deixara entender um volte-face, ao afirmar que a situação era "muito preocupante" e que o governo iria tomar "medidas adicionais para responder à crise social".

O congelamento dos preços será compensado pela introdução de subsídios, fixação de preços de referência de bens essenciais, suspensão de taxas de importação e contenção da despesa pública, incluindo o congelamento dos salários dos governantes e administradores das empresas públicas e a redução das viagens aéreas, ajudas de custo e subsídios de combustível. Haverá ainda um maior incentivo ao uso da moeda nacional, o metical, nas transacções domésticas, para evitar os custos associados às flutuações do câmbio.

PAULO VITORINO FOI MORTO POR "BALA VERDADEIRA"

Paulo Vitorino, 28 anos, licenciado em Oceanografia, professor, casado, morreu durante os confrontos de quinta-feira, alvejado a tiro pela polícia moçambicana. A família só encontrou o corpo um dia depois e "o médico disse que era bala verdadeira". Luís Veloso, amigo de infância de Paulo, contou à Lusa que, apesar de a polícia dizer que apenas usou balas de borracha, o amigo foi morto com uma bala real, um tiro disparado de muito perto, para a coluna. "Paulo estava de costas quando recebeu o tiro", garante.

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