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Correio da Manhã

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Governo critica muros nas favelas

O governo brasileiro admitiu na ONU não ter sido uma boa ideia a construção, decretada pelo executivo estadual, de altos muros para cercar favelas do Rio de Janeiro e impedir a sua expansão.
9 de Maio de 2009 às 00:30
Barreiras de segurança estão a ser erguidas em redor das favelas
Barreiras de segurança estão a ser erguidas em redor das favelas FOTO: António Lacerda

Paulo Vannuchi, ministro dos Direitos Humanos, considerou que muros nunca são uma boa ideia de cidade, embora tenha afirmado entender as razões ambientais e de segurança que ditaram a decisão.

A construção dos muros, que já está em execução e vai cercar ao todo 11 favelas cariocas, foi considerada esta semana atentatória dos direitos humanos pelos membros do Comité de Direitos Económicos, Sociais e Culturais da Organização da ONU, que se reuniu em Genebra. Um dos membros do comité, o colombiano Álvaro Mejia, chegou a classificar a medida como discriminação geográfica.

Vannuchi, que representa o Brasil na reunião, ficou surpreendido com as críticas e, alegando não ter informações sobre o assunto, pediu tempo para consultas. Depois, esclareceu que o governo federal nada teve a ver com a iniciativa, cuja responsabilidade, frisou, é do governador Sérgio Cabral Filho, e que, apesar de entender as razões, não aprova.

A construção dos muros foi decidida há alguns meses com o intuito de supostamente evitar novos estragos ambientais que decorreriam da continuação do crescimento das favelas para o interior da floresta que as cerca. No entanto, o projecto tem sido desde o primeiro momento fortemente criticado. Muitos consideram que a verdadeira intenção é impedir o estabelecimento de mais famílias pobres na cidade, confinar as que já estão instaladas e limitar a movimentação dos narcotraficantes que dominam essas comunidades.

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