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Governo de Bolsonaro extingue regras que protegiam áreas de preservação ambiental

Conama foi praticamente desmontado em maio do ano passado pelo governo do presidente brasileiro.

29 de setembro de 2020 às 14:24

Num novo ataque a normas que protegiam áreas de conservação ambiental, que tem sido uma constante no governo Bolsonaro, o Conama, Conselho Nacional do Meio Ambiente, extinguiu quatro importantes regras que há anos protegiam vários tipos da flora e da fauna brasileira. Os principais alvos das medidas agora adotadas são áreas de restinga e manguezais.

Sob o comando do ministro do Ambiente, Ricardo Salles, um defensor ferrenho do desmatamento para exploração económica das terras, postura criticada no mundo inteiro mas que é apoiada e incentivada por Jair Bolsonaro, o Conama anulou duas resoluções de governos anteriores que proibiam a desflorestação e a ocupação, a qualquer pretexto, de áreas de preservação da vegetação nativa, como as restingas, e de mangues. Os mangues, áreas alagadas no litoral que funcionam como uma espécie de berçário e santuário onde se reproduz uma riquíssima diversidade de vida marinha, atualmente só podiam ser usadas para extração controlada de marisco por coletores artesanais, que o fazem manualmente sem qualquer agressão ao ambiente e garantem o sustento a milhares de famílias por todo o Brasil.

Outra regra agora derrubada era a que proibia que lixo tóxico fosse incenerado em fornos de fábricas, pelo elevado nível de poluentes que essa queima lança na atmosfera. Por último, também foi anulada a norma que obrigava a apresentação de um programa de otimização e redução do consumo de energia e de água para que projetos de irrigação fossem autorizados.

O Conama, mais importante órgão de definição de regras ambientais no Brasil, foi praticamente desmontado em maio do ano passado pelo governo de Jair Bolsonaro, para quem árvores e animais não podem atrapalhar o que o presidente considera a necessidade do desenvolvimento económico do país. O órgão tinha até então 96 membros, entre representantes do executivo, de entidades ambientais e da sociedade civil, mas Bolsonaro e Ricardo Salles intervieram e reduziram o número de membros para apenas 23, todos escolhidos pelo governo e sem assento para ambientalistas ou representantes da sociedade.

Organizações de defesa do ambiente, entidades dos mais variados setores da sociedade brasileira e parlamentares de diversos quadrantes políticos já manifestaram repúdio e indignação por mais este retrocesso na defesa da Natureza. Como a definição dessas regras cabe ao governo e não havia como impedir as mudanças, essas entidades estão a articular-se para tentarem na justiça que as normas agora revogadas voltem a valer.

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