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Governo do Paquistão pede ajuda ao exército para terminar com protesto islamita

Cerca de dois mil manifestantes bloqueiam há cerca de três meses o principal acesso a Islamabad.
Lusa 25 de Novembro de 2017 às 19:04
Protestos em Islamabad
Protestos em Islamabad
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Protestos em Islamabad
Protestos em Islamabad
O Governo paquistanês apelou este sábado ao exército para restabelecer a ordem na capital Islamabad, onde confrontos entre polícias e islamitas provocaram pelo menos um morto e 200 feridos.

"O Governo (...) autoriza o envio de um número suficiente de soldados do exército paquistanês (...) em apoio do poder civil, para manter a ordem no território de Islamabad a partir de 25 de novembro, e até nova ordem", refere o pedido das autoridades responsáveis pela administração de Bagdad, e divulgado pela agência noticiosa France-Presse (AFP).

O poderoso exército paquistanês não emitiu até ao momento qualquer comentário.

Antes da iniciativa das autoridades da capital, o mais alto responsável militar, general Qamar Javed Bajwa, tinha telefonado ao primeiro-ministro Shahid Khaqan Abbasi para o aconselhar a resolver a situação "de forma pacífica". "A violência (...) não é do interesse nacional", disse no decurso da conversação, segundo um 'tweet' do seu porta-voz.

Cerca de 2.000 manifestantes bloqueiam há cerca de três meses o principal acesso a Islamabad, acampados num eixo rodoviário no limite da localidade vizinha de Rawalpindi. Desta forma, têm paralisado o intenso tráfego entre estas duas cidades, provando enormes filas de trânsitos e outros constrangimentos para a população.

Após algumas tentativas de negociações, que fracassaram, as autoridades decidiram por fim terminar com o prolongado protesto.

Cerca de 8.500 polícias e paramilitares foram deslocados no início da manhã deste sábado para dispersar os manifestantes, segundo referiu um responsável do ministério do Interior.

As operações policiais, que não resultaram foram suspensas ao início da tarde, referiu à AFP uma fonte dos serviços de segurança, e ainda não foram retomadas.

No decurso da operação desencadeada esta manhã, polícias antimotim dispararam as primeiras granadas de gás lacrimogéneo sobre e balas de borracha em direção dos manifestantes, que responderam com o arremesso de pedras e outros projéteis.

Um porta-voz da polícia disse que um polícia morreu após ser atingido na cabeça por uma pedra, enquanto um jornalista da AFP viu o que parecia ser o cadáver de um manifestante estendido no solo.

Pelo menos 190 pessoas, incluindo 137 membros das forças de segurança, foram conduzidas a um hospital de Islamabad, enquanto eram detidas diversas pessoas.

Os manifestantes responderam ao apelo do grupo religioso pouco conhecido Tehreek-i-Labaik Ya Rasool Allah Pakistan (TLYRAP) e há cerca de três meses começaram a montar tendas no importante cruzamento de Faizabad. Exigem a demissão do ministro da Justiça, Zahid Hamid, na sequência de uma polémica em torno de uma alteração que modifica ligeiramente o sermão que devem prestar os candidatos às eleições.

Segundo o TLYRAP, esta ligeira modificação, por fim abandonada pelo Governo após um pedido de desculpas do ministro, destinava-se a permitir a participação no escrutínio dos Ahmadis, uma seita cujos membros são perseguidos e considerados heréticos com crenças blasfematórias, uma questão muito sensível no conservador Paquistão.

Os seguidores da fé Ahmadi, estabelecida no subcontinente indiano no século XIX por Mirza Ghulam Ahmad, acreditam que o seu fundador era um profeta. Em 1974 o Paquistão declarou os Ahmadis não-muçulmanos, e esta minoria tem sido alvo de frequentes atentados por grupos extremistas.
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