Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
6

Governo francês recusa ceder às manifestações contra reforma do sistema de pensões

Transportes parados, escolas fechadas e filas de trânsito intermináveis no segundo dia de greve geral.
Ricardo Ramos 7 de Dezembro de 2019 às 10:04
Greve causou o caos nos transportes públicos e fechou escolas em todo o país
Primeiro-ministro francês, Edouard Philippe
Macron com Édouard Philippe
Greve causou o caos nos transportes públicos e fechou escolas em todo o país
Primeiro-ministro francês, Edouard Philippe
Macron com Édouard Philippe
Greve causou o caos nos transportes públicos e fechou escolas em todo o país
Primeiro-ministro francês, Edouard Philippe
Macron com Édouard Philippe
O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, garantiu esta sexta-feira que a reforma do sistema de pensões vai mesmo avançar, apesar da greve geral que na quinta-feira levou mais de 800 mil pessoas às ruas e dos novos protestos agendados para a próxima semana.

Os efeitos da greve, que vai prolongar-se durante o fim de semana, voltaram ontem a fazer-se sentir em todo o país, com fortes perturbações nos transportes ferroviários e rodoviários, centenas de voos cancelados, escolas fechadas, hospitais a meio gás e engarrafamentos de mais de 300 quilómetros nos principais acessos a Paris.

Em causa está a intenção do presidente Emmanuel Macron em uniformizar e tornar "mais justo" o sistema de pensões em vigor há décadas em França, no qual coexistem 42 esquemas setoriais diferentes, cada um dos quais com diferentes índices de contribuições e benefícios, que permite, por exemplo, que marinheiros, trabalhadores dos caminhos de ferro e bailarinos da Ópera de Paris possam reformar-se até uma década mais cedo do que os restantes trabalhadores.

Para alterar esta situação, o governo propõe um sistema de pensões por pontos, único e igual para todos, em que cada dia da carreira contributiva será contabilizado para determinar o valor da reforma.

Os pormenores do plano do governo só serão oficialmente dados a conhecer na próxima quarta-feira, mas o primeiro-ministro já receitou cedências de maior.

"A França não pode continuar a ter 42 sistemas de pensões diferentes. Não é justo que alguns possam reformar-se mais cedo do que os outros. Os franceses terão de trabalhar um pouco mais, como acontece com as pessoas dos outros países da UE", afirmou Édouard Philippe, garantindo que a transição para o novo sistema universal será "progressiva" de modo a evitar mudanças "brutais".

SAIBA MAIS
62 anos é a idade legal de reforma em França, inferior à de outros países europeus, como Portugal. Proposta do governo não altera a idade limite, mas prevê cortes para quem se reformar antes dos 64 e oferece benefícios a quem trabalhar para além dessa data.

Buraco de 17 mil milhões
Gastos com as pensões representam 14% do Orçamento. Estudo independente indica que a manutenção do atual sistema de pensões irá provocar um buraco de 17 mil milhões de euros nas contas públicas em 2025.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)