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Correio da Manhã

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Governo promete ‘mão pesada’

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, enviou ontem 16 mil polícias para as ruas de Londres e prometeu ‘mão pesada’ para travar da vaga de violência que atinge a capital britânica, desde sábado, e já se alastrou a outras cidades.
10 de Agosto de 2011 às 00:30
A violência intensificou-se em Londres e noutras cidades britânicas, com numerosas viaturas a serem vandalizadas e incendiadas por jovens delinquentes
A violência intensificou-se em Londres e noutras cidades britânicas, com numerosas viaturas a serem vandalizadas e incendiadas por jovens delinquentes FOTO: Luke Macgregor/Reuters

"Isto é criminalidade pura e simples, que tem de ser enfrentada e derrotada", afirmou Cameron, forçado a interromper as férias em Itália para gerir a crise. Este reforço policial, sem precedentes, triplica o número de agentes que, na noite de segunda-feira, foram incapazes de travar os múltiplos focos de violência e pilhagem que surgiram por toda a cidade.

A polícia ponderava ainda o recurso a balas de borracha para dispersar os grupos de delinquentes, mas a ministra do Interior, Theresa May, excluiu terminantemente a utilização de canhões de água e a mobilização do Exército.

Em Croydon, no sul de Londres, registou-se ontem a primeira vítima mortal desde o início dos motins - um homem de 26 anos, atingido a tiro quando seguia num carro, num aparente confrontos entre gangues. Também foram novamente afectadas zonas como Enfield ou Hackney, onde jovens incendiaram caixotes do lixo e os empurraram rua abaixo contra a polícia. Em Ealing, cerca de 150 jovens percorreram uma rua partindo vidros de carros, num acto de puro vandalismo. Já em Birmingham, uma esquadra foi incendiada, e houve ainda focos de violência em Liverpool, Bristol, Nottingham e Manchester.

Desde o início da violência, no sábado, já foram detidas mais de 600 pessoas só em Londres, onde as esquadras já não têm capacidade para receber mais detidos. n

PORTUGUESES ESTÃO ASSUSTADOS

"Estou com medo. Hoje vamos fechar mais cedo. Eles vêm em grupos de 30 ou 40 e não há segurança que resista". Jorge Major, empregado de um restaurante português, em Brixton, contou ao CM que tem vivido os últimos dias em sobressalto. "A Polícia deveria ter usado a força logo no primeiro dia. [Os jovens] São uns animais, só querem fazer mal".

Outro português, José Santos, receia que a situação se complique ainda mais. "A alguns metros daqui destruíram tudo. Fechámos as grades porque nos vieram dizer que eles vinham para cá", relata o empregado do Café Madeira, em Stockwell, zona também conhecida por ‘Little Portugal'. "É uma vergonha. São miúdos de 10, 12, 13 anos. Estou com muito medo", admitiu ao CM.

Hugo Nunes, funcionário de uma mercearia portuguesa, em Vauxhall, tinha acabado de receber ordens do patrão para fechar a loja: "Vemos passar pequenos grupos de delinquentes e temos informação de que vai haver confusão". A sua colega Cibelle, brasileira, está "em pânico". "Moro perto de Brixton e fui pedir ajuda a uma esquadra, já que os transportes não funcionavam. Fui ameaçada por um jovem dentro da esquadra. À saída, estava outro rapaz a destruir uma loja e três polícias olhavam sem nada fazer".

Sorte diferente teve a mercearia de Vítor Nunes, em Tulse Hill, sul de Londres, que foi vandalizada e pilhada no domingo à noite. "Roubaram mais de mil libras [1140 euros] em vinhos e cervejas", disse à Lusa.

REDES SOCIAIS USADAS PARA O MAL E PARA O BEM

As mesmas redes sociais que estão a servir para apelar à violência estão, também, agora a ser usadas para recrutar brigadas de voluntários para limpar as zonas afectadas e repor a ordem, onde outros espalharam o caos. A mobilização dos cidadãos é espontânea e não se limita a limpar os vestígios de vandalismo. ‘Agarra o ladrão' é um espaço na Internet para divulgar fotografias e identificar presumíveis criminosos. Já o Google Maps criou um localizador dos distúrbios. 

JOVEM ACTIVISTA DEFICIENTE INSTIGA VIOLÊNCIA

Jody McIntyre, o deficiente motor de 21 anos que ganhou notoriedade nos protestos estudantis de 2010, surge agora como um dos principais instigadores da violência em Londres. "Deixem-se inspirar por Tottenham e revoltem-se no vosso bairro. Cem pessoas por área são suficientes para derrotar a ‘bófia'", escreveu no Twitter, onde tem 9 mil seguidores. "Sou completamente contra os arruaceiros de Tottenham. Usavam uniformes onde se lia: Polícia Metropolitana", escreveu noutra mensagem.

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