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Correio da Manhã

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Governo receia milhares de mortos

O Bangladesh vive horas de grande tragédia na sequência do violento ciclone que se abateu sobre o país e que deixou atrás de si um rasto de morte e destruição. De acordo com o balanço feito à France Press por fonte governamental, a devastadora tempestade causou milhares de mortos. Ontem, navios e helicópteros militares bengalis tentavam chegar aos cerca de 3,2 milhões de deslocados que estão completamente isolados em várias regiões do país, enquanto equipas de resgate procuravam sobreviventes mas zonas mais devastadas.
18 de Novembro de 2007 às 00:00
O devastador ciclone que atringiu o país causou pelo menos 1800 mortos e deixou 3,2 milhões de pessoas sem casa
O devastador ciclone que atringiu o país causou pelo menos 1800 mortos e deixou 3,2 milhões de pessoas sem casa FOTO: Rafiqur Rahman, Reuters
“Tememos encontrar nos próximos dias milhares de cadáveres”, afirmou Shekar Chandra Das, responsável do gabinete de crise do governo, acrescentando que o balanço oficial era ontem de 1800 mortos. Aquele responsável afirmou ainda que estavam dados como desaparecidos mil pescadores que se encontravam em 150 barcos na baía de Bengala.
O acesso a algumas das zonas mais afectadas está a ser moroso, uma vez que a maior parte das estradas está bloqueada e as linhas de telefone e de electricidade cortadas. Grande parte da capital do país, Daca, onde vivem cerca de dez milhões de pessoas, permanecia ontem sem energia eléctrica.
Face às dificuldades de acesso, as autoridades têm contado sobretudo com helicópteros e navios militares para tentar levar ajuda médica e alimentar às populações. Estão a ser igualmente utilizados elefantes para retirar toneladas de destroços das estradas.
O ciclone, que atingiu o país na passada quinta-feira com ventos da ordem dos 250 quilómetros por hora, arrasou cidades enquanto localidades mais pequenas foram parcialmente engolidas por avalanchas de chuva e lama. Noventa e cinco por cento do arroz que seria colhido dentro de semanas e outros cereais que estavam armazenados foram destruídos.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU enviou ajuda de emergência para mais de 400 mil pessoas. Segundo esta organização, as necessidades mais urgentes são de alimentos, produtos para purificação de água e remédios. Surtos de diarreia estão já a eclodir nas regiões mais devastadas.
Refira-se que mais de 650 mil pessoas foram retiradas de suas casas antes da chegada do ciclone. Muitas conseguiram chegar a abrigos improvisados em escolas e mesquitas no interior do país.
De facto, em 1970, quando um ciclone matou mais de 500 mil pessoas no Bangladesh, foi formada uma rede de abrigos e um sistema de alerta que conseguiram reduzir significativamente o número de mortes.
SAIBA MAIS
1970 foi o ano em que um ciclone matou mais de 500 mil pessoas em Bangladesh. A partir des-sa data o governo formou uma rede de abrigo e sistema de alerta.
150 é o número de barcos desaparecidos na quinta-feira na baía de Bengala com cerca de mil pescadores a bordo.
DEMOCRACIA
Desde a conquista da independência face à Índia, em 1971, o Bangladesh é uma democracia parlamentar. As legislativas têm lugar a cada cinco anos.
BARREIRA
A Índia está a construir uma barreira nos cerca de 4000 km de fronteira com o Bangladesh para, alega, evitar a entrada de imigrantes clandestinos e militantes islâmicos.
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