Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo

Governo trava diálogo

O governo espanhol decidiu ‘desacelerar’ o processo de diálogo com a ETA na sequência dos dois ataques que no fim-de-semana foram atribuídos a apoiantes do grupo separatista basco. O primeiro-ministro José Luis Zapatero já assegurou que qualquer tipo de violência é “incompatível” com o processo negocial.
25 de Abril de 2006 às 00:00
Zapatero, aqui com Ibarretxe, promete 'tolerância zero'
Zapatero, aqui com Ibarretxe, promete 'tolerância zero' FOTO: Manuel H. de León/EPA
Fontes governamentais citadas pelo diário ‘ABC’ garantem que o governo espanhol adoptou nesta fase inicial do cessar-fogo uma política de “tolerância zero” face à violência da ETA, seja sob a forma de atentados, tentativas de extorsão ou acções de ‘kale borroka’ (luta de rua de apoiantes da ETA), como parecem ter sido os ataques registados no fim-de-semana. No primeiro, recorde-se, foi incendiada uma loja de um vereador da União do Povo de Navarra (UPN) em Barañáin, que ficou completamente destruída, enquanto no segundo caso, domingo à noite, foram lançados vários engenhos incendiários contra uma filial da seguradora Mapfre na localidade de Guetxo, Biscaia, que não chegaram a deflagrar.
A prioridade da Polícia é, para já, identificar os autores de ambos os ataques, para confirmar se se trataram realmente de acções de ‘kale borroka’ mas, até lá, e segundo o ‘ABC’, o governo decidiu ‘desacelerar’ o processo negocial aberto no passado mês de Março, quando a ETA decretou o seu cessar--fogo unilateral.
As autoridades espanholas admitem, por outro lado, que os ataques possam ter sido cometidos por elementos “descontrolados” afectos à ETA, o que não deixa de considerar preocupante, uma vez que mostra que nem a ETA nem o Batasuna têm um controlo total sobre os seus elementos, visto como crucial nesta fase delicada do processo de paz. Outra possibilidade admitida pelas autoridades é a de a ETA estar a ‘testar’ até que ponto o governo está disposto a aceitar a continuação das actividades ilícitas do grupo.
Josu Jon Imaz, dirigente do Partido Nacionalista Basco, afirmou a propósito que “não existe um nível tolerável de violência”, enquanto o presidente do governo regional de Navarra, Miguel Sanz, foi mais longes e exortou o primeiro-ministro Zapatero a “interromper de maneira efectiva” o processo de paz.
Entretanto, o Batasuna pronunciou-se pela primeira vez sobre os ataques, com o porta-voz Joseba Permach a considerar que se trataram de actos “muito graves”. Afirmando-se solidário com os lesados, Permach aproveitou ainda para apelar à “responsabilidade” de todos os envolvidos no processo.
APOIANTE DA ETA ACUSA DIREITA
Joseba Alvarez Forcada, responsável pela área internacional do Batasuna, acusou ontem em Lisboa, de forma indirecta, a Direita espanhola de estar por detrás da recente acção violenta em Barañain – perto de Pamplona – atribuída à ‘Kale Borroca’ (luta de rua de apoiantes da ETA).
Numa conferência de Imprensa frente à embaixada de Espanha, aquele responsável do ilegalizado braço-político da ETA afirmou que a “direita está claramente contra o diálogo, pelo que é uma possibilidade que a responsabilidade seja sua”. Em declarações ao CM, Forcada declarou que “houve precipitação de Madrid” ao atribuir a acção a apoiantes da ETA. “O governo espanhol diz que a Polícia está ainda a investigar o que se passou. Não é muito lógico... Têm de investigar o outro lado. A direita, no seu conjunto, pressiona e o governo pode ter sido pressionado.
Esta conferência de Imprensa ocorreu no âmbito de uma de várias acções previstas no nosso país, a convite da Associação de Solidariedade com Euskal Herria. Além do Batasuna, estão em Portugal outras organizações bascas, como o Askatasuna, que defende os direitos dos presos políticos bascos, e a Associação de Familiares de Presos Políticos Bascos. Forcada tem encontros confirmados com o PCP e o Bloco de Esquerda.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)