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Governo venezuelano critica "passividade" do Brasil após invasão à sua Embaixada

Grupo de 15 a 20 homens invadiu a Embaixada da Venezuela na capital brasileira e assumiu o comando da representação diplomática.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 13 de Novembro de 2019 às 19:46
Bandeira da Venezuela
Bandeira da Venezuela FOTO: Getty Images

Num comunicado publicado ao final da tarde desta quarta-feira, o governo da Venezuela condenou a invasão da embaixada do país em Brasília, ocorrida durante a parte da manhã, e criticou a "passividade" das autoridades brasileiras perante o incidente diplomático. No documeto, o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, lembrou que o Brasil é signatário da Convenção de Viena, que garante a inviolabilidade das representações diplomáticas em qualquer circunstância.

"A convenção ordena que o governo brasileiro tome imediatamente as medidas necessárias para afastar os invasores das imediações da embaixada, a adopção de punições e o fim da situação inaceitável de perseguição a que a equipa diplomática venezuelana em Brasília está exposta", refere ainda o comunicado.

Ao final da madrugada desta quarta-feira, um grupo de 15 a 20 homens invadiu a Embaixada da Venezuela na capital brasileira e assumiu o comando da representação diplomática, afirmando que a partir de agora só obedeceria ao líder da oposição a Maduro, Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino do país. O Brasil deixou de reconhecer a legitimidade de Nicolás Maduro após denúncias de fraude na sua última reeleição para um novo mandato de presidente, e passou a reconhecer como chefe de Estado do paíz vizinho o oposicionista Guaidó.

Tensão fora e dentro

As versões sobre o que se passa na Embaixada são bastante conflitantes, pois seguidores de Guaidó dizem não ter invadido a representação diplomática e sim entrado depois de diplomatas que se desentenderam com Nicolás Maduro lhes terem aberto as portas. Freddy Menegotti, encarregado de negócios nomeado por Maduro e o diplomata de mais alto posto ainda em serviço na representação venezuelana em Brasília, nega essa informação, assegurando que os diplomatas continuam leais ao presidente e que os invasores entraram à força no local.

Deputados brasileiros, que foram para a Embaixada da Venezuela tentar mediar uma saída pacífica para a situação, disseram aos jornalistas que os invasores estão uniformizados e usam rádio-comunicadores, através dos quais parecem receber ordens de um comando externo. Questionados se estariam armados, os invasores recusaram responder.

No lado de fora, grupos pró-Maduro e pró-Guaidó já se enfrentaram algumas vezes ao longo do dia, obrigando a Polícia Militar de Brasília a usar bastões e gás de pimenta para os separar. Mas a polícia até final da tarde não tinha tomado qualquer iniciativa para expulsar os invasores, alegando que não tinha recebido ordens sobre o que fazer.

A polícia brasileira não tem jurisdição para entrar na embaixada, que é considerada internacionalmente parte do território do país que representa, mas pode fazê-lo a pedido do diplomata que comandar a representação. O problema é que como o governo de Jair Bolsonaro não reconhece o governo de Maduro, a polícia não tem aceite os pedidos do encarregado de negócios.

Vários rumores que tomaram conta dos noticiários chegaram a avançar que o próprio presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que trata Guaidó como "irmão" e defende a queda de Maduro, poderia ter incentivado a ocupação da embaixada, ocupação essa que um dos filhos dele, Eduardo Bolsonaro, elogiou em redes sociais. Mas o governo brasileiro negou, através de um comunicado, que o presidente tenha estado por trás da tomada da embaixada ou mesmo que tivesse conhecimento antecipado desse facto, mas não avançou o que estava ou iria fazer para resolver a questão, já criticada também pela Organização das Nações Unidas, ONU, que responsabilizou o Brasil por algo de mais grave que possa acontecer.
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