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Governo venezuelano e oposição poderão iniciar "diálogo nacional"

"Existe uma vontade de diálogo de ambas partes", diz um comunicado da União das Nações Sul-Americanas.
29 de Maio de 2016 às 00:32
Nicolas Maduro
Nicolas Maduro FOTO: Reuters
A União das Nações Sul-Americanas (Unasur) assegurou que existe vontade da parte do Governo e da oposição da Venezuela para avançar com a elaboração de uma agenda de "diálogo nacional" no país.

Num comunicado divulgado sábado em Quito, no Equador, onde tem sede, a Unasur assinalou que essa possibilidade surgiu após reuniões exploratórias desenvolvidas nos últimos dias na República Dominicana, com intervenção diplomática.

Acrescenta, no comunicado, que essas reuniões contaram com a participação dos ex-presidentes do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, e dos ex-chefes de Estado dominicano Leonel Fernández e panamiano Martín Torrijos.

Foram convidados pela Unasur a ter reuniões exploratórias entre o governo da Venezuela e a oposição, representada por partidos da Mesa de Unidade Democrática, tendo constatado que "existe uma vontade de diálogo de ambas partes".

A oposição venezuelana confirmou este sábado que quatro dos seus representantes na Mesa da Unidade Democrática viajaram até Punta Cana, onde tiveram reuniões, entre sexta-feira e sábado, com os mediadores internacionais, e negou que tenham existido encontros com os representantes do Governo.

Aquela plataforma indicou ter transmitido aos ex-presidentes - para entrega da mensagem ao Governo venezuelano - as suas condições para o diálogo, nomeadamente a realização de um referendo para revogar o mandato do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a libertação dos presos políticos, e a atenção à "crise humanitária".

Oposição condiciona um possível diálogo
A oposição venezuelana condicionou a possibilidade de um possível diálogo com o Governo do Presidente Nicolás Maduro, à realização de um referendo que revogue o mandado do chefe de Estado.

"Nós queremos diálogo no país, mas todos queremos que exista um diálogo de verdade. Nunca nos iremos negar ao diálogo, mas isso passa por marcar uma data para o referendo revogatório, porque esse processo democrático dará uma solução ao que estamos a viver", disse o ex-candidato presidencial da oposição Henrique Capriles Radonski, que falava sábado aos jornalistas em Guarenas, a leste de Caracas.

"Aqui, ninguém pode negociar algo turvo, porque a política é a arte da negociação transparente. Quando houver uma situação como a que estamos vivendo os venezuelanos atualmente, o Governo deve ouvir e respeitar a palavra do povo e o povo quer (um referendo) revogatório", disse.

Segundo Henrique Capriles Radonski, "a Venezuela está à beira de uma explosão social" que a oposição não quer que aconteça.

"O que queremos é que haja uma saída pacífica, democrática, constitucional e eleitoral. Atualmente, no país, ocorrem 20 saques diários (de estabelecimentos comerciais) e isso não se vê na imprensa. O 'caracazo' (explosão social de 27 de fevereiro de 1989) começou aqui, em Guarenas, e estendeu-se por todo o país, pelas condições económicas da altura, mas hoje as condições são piores", disse.

O dirigente da oposição instou os venezuelanos a "não terem medo da mudança", considerando que há apenas que temer é a "continuação do bloqueio das democráticas" e "o povo continue a passar fome".

Capriles acusou o Governo venezuelano de distanciar-se cada vez mais da Constituição, que é "o único que garante a convivência no país" e em que se estabelecem deveres e direitos dos cidadãos e limites aos poderes do Estado.
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