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Correio da Manhã

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GRÃ-BRETANHA ABRE AS PORTAS AO JOGO

O governo britânico revelou esta terça-feira uma proposta de lei que permite a instalação na Grã-Bretanha (a Irlanda do Norte fica excluída) de grandes casinos semelhantes aos de Las Vegas, com prémios de valor ilimitado e parques de jogo com um máximo de 1.250 'slot machines'.
19 de Outubro de 2004 às 20:46
A proposta de lei elaborada pelo governo de Tony Blair pretende actualizar um enquadramento legal velho de 40 anos e vai entrar no Parlamento britânico em regime de processo de avaliação rápida. O objectivo é que, caso seja aprovada, a nova lei possa entrar em vigor antes das legislativas do próximo ano, ainda sem data marcada, mas previstas para Maio.
Actualmente, existem na Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales) 126 casinos com 'slot machines' de prémios limitados até um máximo de 2 mil libras. Com a nova lei passa a ser proibida a exploração de 'slot machines' em restaurantes de comida rápida e empresas de táxis, como é feito actualmente.
A nova lei prevê também a criação de uma entidade reguladora do mercado do jogo, com capacidade de fiscalização sem prévio aviso, e permite a oferta - muito regulamentada - de jogo através da Internet, o que até agora era proibido pela lei britânica.
A nova lei elimina as proibições em vigor de instalalação de grandes casinos nos centros das cidades, facilita a filiação nessas casas de jogo (eliminando o actual período de espera de 24 horas), permite que os casinos estejam abertos 24 horas por dia e autoriza o jogo na Sexta-Feira Santa e no Dia de Natal.
A ministra britânica da Cultura, Comunicação Social e Desporto, Tessa Jowell, defendeu a nova lei como uma iniciativa de protecção das crianças e pessoas mais vulneráveis ao vício do jogo (convidar uma criança a jogar num casino, por exemplo, passa a ser crime). Facto é que existem cerca de 300 mil britânicos viciados no jogo e esse número pode duplicar nos próximos anos, caso o sector não seja regulamentado. Recorde-se, por exemplo, a enorme afluência registada nas famosas casas de apostas, que passarão a ser mais vigiadas.
O secretário de Estado Lord McIntosh, responsável pela elaboração da nova proposta de lei do jogo, garante que "não haverá uma Las Vegas em Leicester" e recorda que os operadores ficarão obrigados a conceder benefícios sociais nos locais onde se instalem.
Os críticos da lei referem apenas que esta abre as portas das cidades britânicas aos grandes casinos, impedindo os pequenos operadores de competir em condições de igualdade.
A indústria o jogo na Grã-Bretanha, tal como está, vale 63 mil milhões de libras por ano. É muito, mas este número deve 'disparar'. É que grandes operadores internacionais de jogo já anunciaram intenção de investimentos no total de 5 mil milhões de libras. Entre eles contam-se a maior empresa britânica do sector, Stanley Leisure, e a norte-americana Caesar's Entertainment, de Las Vegas.
A Stanley, conhecida pelo casino de Crockford, em Londres, com 175 anos de idade, vai construir um 'super-casino' próximo do estádio do Leeds. A Caesar's planeia instalar um grande complexo de jogo no novo Estádio Nacional em Wembley.
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