Procurador Rodrigo Janot anuncia existência de gravação, sem adiantar nomes.
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Uma nova gravação explosiva entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR) do Brasil pode envolver em actos criminosos membros desse órgão e até pelo menos um juíz do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi avançada no final da noite desta segunda-feira em Brasília pelo próprio Procurador-Geral, Rodrigo Janot, que não adiantou mais detalhes porque remeteu ao próprio STF a decisão de tornar ou não públicos os áudios comprometedores.
Em conferência de imprensa convocada de emergência e que terminou perto das 23h30 desta segunda, pelo horário de Lisboa, Janot informou os jornalistas que determinou a abertura imediata de uma investigação sobre os relatos contidos nessa gravação, que, nessa altura, ainda não tinha sido entregue ao Supremo, o que, adiantou, seria feito logo após o fim da entrevista. Na gravação, acrescentou o PGR, dois dos executivos da JBS, líder mundial de producção de proteína animal, que passaram a colaborar com a operação anti-corrupção Lava Jato falam abertamente de vários crimes que não relataram nos seus depoimentos oficiais.
Na conversa, durante a qual supostamente os dois colaboradores da Lava Jato não sabiam que o gravador que costumavam usar estava ligado, eles falaram de forma clara e livre sobre crimes seus e de terceiros que não aparecem nos seus relatos anteriores e que envolvem até autoridades de alto nível. Entre essas autoridades, confirmou Janot sem avançar nomes, estão membros da própria Procuradoria-Geral e ao menos um magistrado do mais alto tribunal brasileiro.
Janot disse ainda que, face a essas revelações, determinou uma rigorosa investigação, e que, se realmente for confirmado que os colaboradores da Lava Jato ligados à JBS não contaram tudo o que sabiam, os benefícios que eles receberam, como a garantia de não serem presos nem processados, podem ser revistos. Os três principais executivos da JBS que passaram a colaborar com a justiça, são os donos da empresa, os irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, e o director financeiro do grupo J&F, que controla a JBS, Ricardo Saud, que ganharam imunidade total para todos os crimes que cometeram por terem ajudado a justiça a conseguir provas contra outros envolvidos, alguns com cargos nas mais altas esferas do poder.
Foram as denúncias feitas por Joesley Batista que deram origem à abertura pelo Supremo Tribunal Federal de uma investigação contra o presidente Michel Temer em Maio por corrupção, obstrucção à justiça e participação em organização criminosa, e à denúncia por corrupção apresentada em Junho por Janot contra o chefe de Estado. Na prova mais contundente contra Temer, uma gravação feita pelo próprio Joesley, o presidente brasileiro avaliza a compra do silêncio de testemunhas incómodas e o suborno de um juíz.
O Procurador-Geral avançou no entanto que uma eventual anulação dos benefícios concedidos aos irmãos Batista e a outros executivos da JBS não acarretarão na anulação das provas contra Temer nem contra os outros acusados. É esperada para os próximos dias, talvez ainda esta semana, uma segunda denúncia do PGR contra Michel Temer fundamentada nessa gravação inicial, feita por Joesley durante um encontro secreto com Temer durante a noite no palácio.
A nova gravação, a que pode incriminar membros da PGR e do Supremo Tribunal, tem quatro horas de duração e ia ser entregue ainda na noite de segunda-feira ao juíz Edson Fachim, responsável pelos processos da Lava Jato no STF. Caberá a Fachim decidir se torna ou não públicos os diálogos, considerados "gravíssimos" pelo Procurador-Geral. (FIM).
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