Profissionais pretendem que Governo apresente soluções de melhorias financeiras para todos os docentes.
Os quatro sindicatos dos professores são-tomenses anunciaram este domingo que vão manter a greve na educação por tempo indeterminado até o Governo apresentar soluções de melhorias financeiras para todos os docentes.
"A partir de segunda-feira nós continuamos com a greve porque o nosso interesse é chegar a uma decisão favorável, tanto para o Governo, como para nós", disse a presidente do Sindicato dos Professores e Educadores de São Tomé e Príncipe (SINPRESTEP), Vera Lombá.
A líder sindical que falava ladeada pelos presidentes de outros três sindicatos, sublinhou que o "tempo vai ser determinado pelo resultado das negociações" face às proposta a serem a presentadas pelo executivo.
Na sexta-feira, o Governo são-tomense lamentou a greve geral iniciada pelos professores nas primeiras horas do dia e que paralisou todas as escolas do arquipélago para exigir aumento do salário de base de 2.500 para 10 mil dobras, cerca de 100 para 400 euros.
O ministro das Finanças, Ginésio da Mata, avisou que não fará aumento do salário para nenhum setor da função pública em 2024 devido aos compromissos com o Fundo Monetário Internacional e que a decisão foi informada às Centrais Sindicais desde novembro do ano passado.
Os líderes sindicais disseram este domingo que não receberam esta informação, que deveria ser "comunicada através de canais próprios a todos os sindicatos", admitindo que não havendo possibilidade de aumento do salário de base, que sejam melhorados os subsídios e outras contrapartidas financeiras.
"Nós queremos uma medida que nos permita realmente ter uma vida digna [...] nós continuamos ainda em negociação até que consigamos chegar a um acordo definitivo que possa tranquilizar a classe, possa dar alguma dignidade e que também possa trazer a paz e qualidade no espaço escolar", sublinhou o presidente do Sindicato Independente dos Professores (SINPROF), Clementino Boa Morte.
A ministra da Educação, Isabel D'Abreu, sublinhou que a reivindicação dos professores "teve um tratamento imediato", considerando que dos 22 pontos do caderno reivindicativo apresentado em princípio de dezembro, 17 foram resolvidos, sobretudo a promoção dos professores que estão há 15 anos no sistema.
No entanto, os sindicatos consideram que o Governo não apresentou solução para a principal reivindicação, que é a melhoria salarial.
"Os professores não conseguem sair de casa e ir trabalhar com dignidade com o salário que têm. Sabemos que existe atraso no subsídio de transportes, horas extras e alguns subsídios que não estão sendo pagos" disse Clementino Boa Morte, sublinhando que são "várias situações que não permitem a harmonia e que os professores se sintam motivado para irem trabalhar".
"Existe neste momento atraso de pagamento de salários dos professores, de cerca de seis meses, incluindo os professores reformados que foram contratados. Há um descontentamento em quase todos os níveis, e que o ministério se preocupe com a solução destas questões", acrescentou o líder sindical.
Clementino Boa Morte sublinhou que a "luta é para a dignificação da classe, por isso é que todos os professores de São Tomé e Príncipe estão unidos".
"Nas condições em que nós vamos trabalhar não é possível garantirmos uma educação [de qualidade] às crianças de São Tomé e Príncipe e a nossa paralisação é exatamente para garantir que haja condições para que um professor consiga trabalhar, ensinar e que um aluno também vá para escola e consiga apreender, porque toda a gente sabe que o ensino está a degradar-se de ano para ano", disse o líder sindical.
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