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Correio da Manhã

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GRUPO TERRORISTA NEGA MORTE DE ABU NIDAL

Um porta-voz da Fatah-Conselho Revolucionário, o grupo terrorista de Sabri al-Banna, mais conhecido como Abu Nidal, desmentiu hoje a morte do seu líder, anunciada segunda-feira por vários meios de comunicação árabes, adiantando que ele “continua vivo e de boa saúde”.
20 de Agosto de 2002 às 14:43
De acordo com o grupo terrorista, a notícia da morte de Abu Nidal “não tem qualquer fundamento” e destina-se apenas a favorecer os acordos entre palestinianos e israelitas, sendo que “Abu Nidal prossegue a sua missão”.

Segundo a Fatah-Conselho Revolucionário, as informações sobre a morte do seu líder foram inventadas pelos serviços secretos inimigos. “Não é a primeira vez que tentam espalhar rumores, com o objectivo de fazer passar acordos infames”, acrescentou o porta-voz do grupo.

Ontem, o jornal palestiniano “Al Ayam” e a cadeia de televisão do Qatar Al Jazeera anunciaram que Abu Nidal, um dos terroristas mais procurados do Mundo, havia sido descoberto morto a tiro no seu apartamento na capital iraquiana, Bagdad.

VERSÕES OPOSTAS

Segundo o diário palestiniano, o cadáver de Abu Nidal, um dissidente da Organização de Libertação da Palestina (OLP), apresentava perfurações de bala, sendo que a forma das feridas faziam os investigadores pensarem que pode ter-se tratado de um suicídio.

Apontando em direcção completamente oposta, a cadeia de televisão Al Jazeera informou que se tratou de um assassinato, sem, no entanto, adiantar mais pormenores sobre a morte de um dos terroristas mais procurados do Mundo, que contava 65 anos.

Abu Nidal, que sofria há alguns anos de leucemia, encontrava-se refugiado desde finais de 1998 no Iraque, país para onde fugira a partir do Egipto, onde seguia um tratamento contra a doença, perante a possibilidade de ser extraditado.

O dissidente palestiniano separou-se da OLP e do seu líder, Yasser Arafat, por razões ideológicas, em 1974, alegando que a organização era demasiado moderada, tendo dirigido durante anos uma facção radical responsável por mais de 90 atentados.

TEMIDO EM TODO O MUNDO

Actuando em vários países da Europa, Ásia e EUA, o grupo dirigido por Abu Nidal foi considerado pelo Departamento de Estado norte-americano como um dos mais perigosos de todo o Mundo e responsabilizado pelo menos por três centenas de mortos.

Entre os atentados perpetrados por este grupo terrorista, destaca-se o assassínio do embaixador israelita em Londres, Shlomo Argov, em 1982, um dos factores que desencadearam a invasão militar do Líbano por Israel, em Junho do mesmo ano, para erradicar a guerrilha palestiniana.

Outra das acções terroristas atribuídas a Abu Nidal foi o assassínio de Issam Sartawi, conselheiro diplomático do presidente palestiniano, Yasser Arafat, em 1983, num hotel de Montechoro, no Algarve, durante um congresso da Internacional Socialista.
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