Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
6

Guaidó vai "fazer os possíveis" para salvaguardar comunidade portuguesa na Venezuela

Presidente interino disse que só uma mudança de regime pode garantir a segurança da comunidade.
Lusa 9 de Fevereiro de 2019 às 09:38
Juan Guaidó
Guaidó
Juan Guaidó
Juan Guaidó
Juan Guaidó
Guaidó
Juan Guaidó
Juan Guaidó
Juan Guaidó
Guaidó
Juan Guaidó
Juan Guaidó
O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, afirmou que vai "fazer os possíveis para salvaguardar" a comunidade portuguesa no país, salientando que só uma mudança de regime pode garantir a segurança.

Em entrevista à RTP, divulgada este sábado, Juan Guaidó disse que só uma mudança de regime pode garantir a segurança da comunidade portuguesa de cerca de 300 mil na Venezuela.

"Estamos a fazer todos os possíveis, não só para salvaguardar a comunidade portuguesa na Venezuela, que é para nós importantíssima e trouxe um grande desenvolvimento ao nosso país, à nossa indústria, ao nosso comércio, mas também a italiana, também a espanhola e também os venezuelanos que hoje estão a ser perseguidos: os nossos aborígenes, indígenas, no sul, que estão a ser torturados para serem integrados em grupos irregulares", salientou.

Juan Guaidó lembrou que a "situação na Venezuela é muito crítica e a questão humanitária muito grave".

"Na Venezuela houve 700 mil mortos em 15 anos. Caracas é a capital mais violenta do mundo. [...]. Imagine a soberba que alguém tem de ter para ameaçar, de uma forma xenófoba, um setor da população, quando um país legítimo reconhece a nossa Constituição, o nosso respeito pelos direitos humanos", disse.

Na entrevista, Juan Guaidó admitiu que a realização de eleições verdadeiramente livres na Venezuela pode demorar entre cinco a 12 meses, mas não revelou se será candidato.

"Uma vez que termine a usurpação, haverá a inscrição de novos eleitores e as auditorias pertinentes, a criação de um novo conselho eleitoral, o que pode ser entre cinco a 12 meses, ou seis a nove meses, dependendo da celeridade com que consigamos a estabilidade do país e ajuda humanitária", adiantou.

Quando questionado sobre se vai ser candidato às eleições presidenciais, Juan Guaidó disse que ainda é prematura fazê-lo neste momento.

"Para mim é inadequado, porque o meu objetivo, o meu papel, é dar condições como presidente interino. É dar condições para que isso aconteça, por isso, creio que seria extemporâneo e irresponsável", disse.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconhece Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)