Presidente dos EUA ameaça enviar mais de 30 mil imigrantes perigosos para a base naval norte-americana na ilha de Cuba.
São tão maus, diz Donald Trump, que só há um lugar no Mundo para eles: Guantánamo. “Nem sequer confiamos nos outros países para os deterem e como não os queremos de volta, é para lá que eles vão. Dali é difícil sair”, diz o Presidente dos EUA.
Os preparativos para a deportação dos “piores estrangeiros ilegais criminosos”, que ameaçam “o povo americano”, já começaram. Segundo as contas da Casa Branca, serão 30 mil os que vão receber guia de marcha para o complexo prisional da base militar dos EUA na ilha de Cuba, conhecida como a prisão dos terroristas. Na última semana, Donald Trump deu instruções aos secretários da Defesa, Pete Hegseth, e da Segurança Interna, Kristi Noem, para “tomarem todas medidas necessárias” para expandir o Centro de Operações Migratórias da Base Naval da baía de Guantánamo (alguns imigrantes, sobretudo cubanos e haitianos, intercetados em alto-mar são para ali conduzidos), até à sua capacidade máxima, por forma a acolher “os piores dos piores”. A ilha, no Sudeste de Cuba, tem uma área próxima dos 120 quilómetros quadrados.
Foram largas centenas os terroristas e suspeitos de terrorismo para ali enviados, após os atentados do 11 de Setembro de 2001, na guerra que o então Presidente, George W. Bush, lançou contra a Al Qaeda, de Bin Laden. Hoje não chegarão a duas dezenas. Várias organizações internacionais de direitos humanos denunciaram, ao longo dos anos, casos de tortura e detenção por tempo indeterminado sem julgamento.
Barack Obama procurou encerrar a prisão, e Joe Biden também admitiu essa possibilidade, ainda que sem definir prazos, ao contrário de Obama, mas ambos sem sucesso. Agora é a vez de Trump olhar para Guantánamo, onde os americanos se instalaram há mais de 100 anos, como um pilar essencial na sua cruzada contra e imigração ilegal.
Obama foi o recordista das deportações
O plano de deportações desenhado por Donald Trump não é comparável ao dos seus antecessores, nem às que decorreram no seu primeiro mandato. Calcula-se que haverá mais de 11 milhões de imigrantes ilegais que o Presidente dos EUA quer fazer regressar aos seus países. A expulsão de estrangeiros ‘sem papéis’ é uma prática comum das administrações norte-americanas.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna, estima-se que cerca de cinco milhões de pessoas foram deportadas durante os dois mandatos de Barack Obama, o primeiro de Trump e o último de Biden, o que dá uma média anual superior a 310 mil pessoas que se viram obrigadas a deixar os EUA nos últimos 16 anos.
O recordista foi Barack Obama, que nos seus oito anos de Casa Branca fez regressar mais de três milhões de imigrantes, uma média de 380 mil por ano. Só em 2013, Obama deportou mais de 430 mil pessoas.
Já Biden foi o mais contido (130 mil por ano) e Trump, entre 2017 e 2021, esteve ligeiramente abaixo da média (300 mil por ano). Estes números não incluem, contudo, os cerca de três milhões de imigrantes ilegais que se entregam às autoridades nem os que foram expulsos ao abrigo do chamado ‘título 42’, medida implementada por Trump e continuada por Biden, que permitiu a expulsão acelerada de imigrantes indocumentados durante a Covid-19 por razões sanitárias.
Seja como for, números muito distantes dos que “a deportação em massa” anunciada por Trump atingiu. Caso o plano fosse cumprido na totalidade e tomando como valor os 11 milhões de ilegais que se encontram nos EUA, Trump teria de colocar no outro lado da fronteira uma média de 2,7 milhões por ano ao longo do seu mandato.
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