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Correio da Manhã

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GUERRA À PORTA DAS MESQUITAS

Forças militares norte-americanas intensificaram este sábado as operações de guerra junto a alguns dos locais mais santos para os xiitas no Iraque, numa tentativa de eliminar a ameaça colocada pelos milicianos do líder radical Moqtada al-Sadr, o Exército Mehdi.
15 de Maio de 2004 às 11:32
Há mais de um mês que as forças norte-americanas no Iraque enfrentam a revolta xiita liderada por Moqtada al-Sadr, clérigo xiita que se mantém refugiado junto à Mesquita Imã Ali, em Najaf. Na última semana, os norte-americanos ‘apertaram’ o cerco aos milicianos xiitas, assumindo uma postura de guerra que, aparentemente, assinala o fim da tentativa de resolução pacífica da situação, ou pretenderá marcar uma posição de força para próximas negociações.
Depois de um dia (sexta-feira) de fortes combates em Najaf e Kerbala, as duas principais cidades xiitas no Iraque constituíram este sábado, de novo, os dois principais focos de combate no teatro de operações iraquiano. De acordo com testemunhas oculares, xiitas e norte-americanos envolveram-se em violentos tiroteios próximo das mesquitas Imã Hussein e Imã Abbas, em Kerbala, e pelo menos dois tanques norte-americanos assumiram posições de combate a menos de dois quilómetros da Mesquita Imã Ali, em Najaf.
O comando norte-americano anunciou ainda que, nas últimas 24 horas, foram mortos 21 iraquianos e pelo menos outros 10 ficaram feridos em operações ofensivas lançadas contra alvos xiitas no perímetro de Bagdad.
CERCADOS EM NASSÍRIA
Mais a sul, em Nassíria, pelo menos 20 militares italianos, norte-americanos e britânicos foram isolados por combatentes xiitas nas instalações da Autoridade Provisória da Coligação naquela cidade.
Uma unidade de combate italiana foi enviada em seu socorro e conseguiu furar o cerco, libertando os homens entrincheirados em Nassíria. Os italianos resgataram também dois seguranças filipinos filipinos, que também estavam entrincheirados no edifício da Coligação naquela cidade.
BRITÂNICOS EMBOSCADOS
Um comboio militar britânico em trânsito de Bassorá para Amara, ontem, foi alvo de três emboscadas durante o trajecto, anunciou esta sábado o comando britânico no terreno.
De acordo com a fonte, uma unidade britânica de reacção rápida saiu em defesa do comboio atacado e garantiu a sua libertação. Durante os combates, dois soldados britânicos foram feridos, 20 iraquianos foram mortos e outros 13 capturados.
RECRUTAS ATACADOS
Um centro de recrutamento do novo Exército iraquiano em Mosul, no Norte do Iraque, foi atacado sábado de manhã.
Uma única munição de morteiro explodiu junto à fila de espera constituída por jovens iraquianos que pretendiam aderir às novas fileiras castrenses. Segundo fontes hospitalares locais, o ataque provocou pelo menos 3 mortos e 17 feridos.
POLÉMICA SOBRE A TRANSFERÊNCIA
Soldados do novo Exército iraquiano e do Corpo de Defesa Civil iraquiano estão a combater sob ordens do comando norte-americano em Kerbala e o Pentágono pretende manter o controlo sobre as forças iraquianas depois da entrega de poder político, marcada para 30 de Junho. O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, chegou mesmo a dizer que o comando militar norte-americano no Iraque deve manter total liberdade de acção após a transferência de poder.
À medida que se aproxima a data da transferência, e apesar de o administrador norte-americano, Paul Bremer, ter dito que os norte-americanos poderão sair do Iraque se o futuro governo interino assim o solicitar, facto é que Washington tem vindo a colocar obstáculos no caminho da autonomia. O Pentágono tem vindo a insistir, por exemplo, em como as novas fileiras militares iraquianas não estarão operacionais à data da transferência de poder político.
O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Franco Frattini, contrapôs um argumento capaz de desarmar as pretensões norte-americanas, ao referir que o futuro governo interino no Iraque deve ter poder de veto sobre as acções militares que os norte-americanos pretendam desenvolver naquele país. E comentou que, se imaginarmos que os norte-americanos possam tomar decisões unilaterais após 30 de Junho, então não terá havido transferência de poder.
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