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Correio da Manhã

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Guerra aberta entre governo e militares

A eleição do presidente está a abrir uma crise política na Turquia, depois de o Exército ter decidido intervir no processo eleitoral através de um comunicado no qual realça o seu papel de bastião do laicismo e a preocupação sobre a integridade actual do sistema secular no país. O governo reagiu de imediato, classificando o comunicado de “antidemocrático”.
29 de Abril de 2007 às 00:00
Jovens manifestam-se contra a candidatura presidencial de Gul
Jovens manifestam-se contra a candidatura presidencial de Gul FOTO: Umit Bektas, Reuters
Os militares, que protagonizaram quatro golpes de Estado nos anos 50, advertiram que vão defender de modo “veemente” o secularismo. Um aviso divulgado na página do Exército na internet horas depois de Abdullah Gul, candidato à presidência turca e actual ministro dos Negócios Estrangeiros, ter sucumbido na primeira ronda da votação parlamentar. Gul, um islamista moderado do partido no poder, o AKP, (Partido da Justiça e Desenvolvimento), não obteve o número de votos necessários. A principal formação da oposição laica, o Partido Republicano do Povo (CHP), pediu já ao Tribunal Constitucional para anular a votação.
Reagindo ao comunicado dos militares, o governo recordou que as chefias militares estão subordinadas ao primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan (também ele islamita), e que o duro comunicado é antidemocrático.
Reflectindo a preocupação europeia, o responsável pelo alargamento da UE, comissário Olli Rehn, alertou o Exército turco para se manter afastado da política, realçando que o respeito pela democracia é uma das condições-chave para a adesão da Turquia.
À LUPA
GUL SEM VOTOS
A eleição para a presidência da Turquia é feita no Parlamento, com 550 deputados. Para ser eleito à primeira ou à segunda voltas um candidato precisa de obter uma maioria de dois terços.
OPOSIÇÃO LAICA ACTIVA
A principal formação da oposição laica na Turquia, o Partido Republicano do Povo, boicotou a sessão para evitar que a chefia do Estado ficasse nas mãos do AKP.
REACÇÃO INÉDITA
Hasan Cemal, conhecido analista do diário turco ‘Milliyet’, garante que pela primeira vez um governo turco não recua face a uma declaração militar e se atreve a defini-la como uma acção antidemocrática.
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