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Correio da Manhã

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Guerra do ‘narco’ atinge cantores

Tomou banho, vestiu-se e arrancou no seu Cadillac vermelho, acompanhado de um amigo, em direcção ao seu concerto, no estado mexicano de Sinaloa. Pouco depois, começou a ser perseguido por uma carrinha, cujos ocupantes atiraram sem parar assim que se aproximaram dele. Foram disparados trinta tiros e um deles foi mortal. O amigo ficou gravemente ferido. A morte de Sergio Vega, mais conhecido por ‘Shaka’, levanta a suspeita em relação a todos os cantores que elegem temas relacionados com o narcotráfico: são eles mais uma arma dos traficantes?
4 de Julho de 2010 às 00:30
‘Shaka’ foi assassinado a tiro quando seguia de carro
‘Shaka’ foi assassinado a tiro quando seguia de carro FOTO: direitos reservados

Para o governo mexicano não há dúvidas de que sim. Aliás, as rádios estão proibidas de emitir canções com temas que digam respeito ao narcotráfico. Proibição que abrange todos os cantores dos chamados narcocorridos, música inspirada nos corridos nortenhos do México mas cujas letras exaltam figuras e eventos do narcotráfico.

Vários cantores famosos foram mortos por traficantes de droga e outros tantos detidos pelas autoridades por actuarem em festas dos muitos narcotraficantes. As autoridades de cidades mexicanas chegaram a proibi-los de actuar e até os ameaçaram: "Se escrevem sobre os traficantes de droga é porque sabem quem são e onde estão..." Os músicos defendem-se: "Somos artistas, não delinquentes."

Os narcocorridos são muito populares no México e muitos defendem a descriminalização dos músicos que os cantam.

O escritor José Manuel Valenzuela afirma que os traficantes usam o seu poder de compra para se rodear de figuras conhecidas. Não surpreende por isso que contratem cantores para fazer os seus corridos nem que o negócio se tenha tornado muito perigoso face à brutal guerra que se vive no México entre cartéis rivais.

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