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Correio da Manhã

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Guerra pela sucessão

A hospitalização do presidente francês, Jacques Chirac – cujo estado de saúde está a evoluir favoravelmente –, abriu oficialmente a ‘guerra’ da sucessão na direita francesa.
6 de Setembro de 2005 às 00:00
Chirac está a melhorar, mas não escapa à especulação
Chirac está a melhorar, mas não escapa à especulação FOTO: Etienne Ansotte (EPA)
De um lado, o primeiro-ministro Dominique de Villepin, que se assume como o candidato da continuidade, do outro o ministro do Interior, Nikolas Sarkozy, que aposta na ruptura com o sistema político das últimas décadas.
O secretismo em redor do estado de saúde do presidente – o boletim clínico oficial continua a afirmar que o presidente sofreu um acidente vascular ligeiro, que lhe causou dores de cabeça e problemas da visão – veio selar as especulações sobre a sua eventual recandidatura a um terceiro mandato em 2007.
Se Chirac já estava fragilizado com o ‘chumbo’ do Tratado da Constituição Europeia em referendo, agora ainda mais enfraquecido ficou aos olhos dos eleitores, a quem não agrada um candidato velho – Chirac tem 72 anos – e com problemas de saúde. Face ao declínio político de Chirac, os candidatos à sucessão começaram a posicionar-se.
Ontem, o jornal ‘Libération’ publicava um ‘cartoon’ bem ilustrativo: Chirac deitado numa cama de hospital com dois abutres à cabeçeira – um tinha a cabeça do ministro do Interior e o outro a do primeiro-ministro.
Aliás, os dois candidatos não perderam tempo em divulgar o seu programa. No fim-de-semana, durante um encontro partidário, Villepin jurou “fidelidade a Chirac” e prometeu “mudança na continuidade”, enquanto Sarkozy se assumiu como o “candidato da ruptura”.
Os dados estão lançados e até já há analistas a pedir a Chirac para resignar e convocar eleições antecipadas para poupar ao país uma novela “ao estilo do Dallas”.
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