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Correio da Manhã

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Guiné encerra fronteiras durante presidenciais

As fronteiras da Guiné-Bissau vão ser encerradas durante as eleições presidenciais de domingo por razões de segurança, revelou o Ministério da Administração Interna. Entre a meia-noite de sábado e a mesma hora do dia seguinte as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas vão permanecer fechadas enquanto decorrer a votação, para a segurança da qual está mobilizado um "impressionante" aparato integrado por 3900 polícias e militares.
27 de Junho de 2009 às 00:30
Kumba Ialá é um dos candidatos
Kumba Ialá é um dos candidatos FOTO: d.r.

O porta-voz do Ministério, Armando Nhaga, explicou que a segurança será mantida até à publicação oficial dos resultados e que os 11 candidatos serão ser acompanhados por dois elementos da Polícia de Intervenção. Alguns deles, no entanto, não abdicam de manter activa a sua segurança pessoal fortemente armada.

Recorde-se que as presidenciais para escolher o sucessor de Nino Vieira, assassinado a 2 de Março - horas após o homicídio do chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Tagme Na Waié -, estiveram em risco de ser adiadas depois de uma alegada tentativa de golpe de Estado ter custado a vida, no passado dia 5, ao ex-ministro da Administração Territorial e candidato presidencial Baciro Dabó e ao antigo ministro da Defesa Hélder Proença. As forças de segurança afirmaram que eles eram dois dos líderes da intentona e justificam os homicídios com uma alegada 'resistência à detenção'.

Apesar de a Lei Eleitoral da Guiné prever um adiamento do escrutínio em caso de óbito ou incapacidade de um dos candidatos, as pressões da comunidade internacional e a vontade das autoridades locais acabaram por triunfar e a Comissão Nacional de Eleições considerou reunidas as condições para realizar o escrutínio, até mesmo antes da data marcada.

Estão inscritos um total de 593.557 eleitores que poderão exercer o direito de voto em 2.686 mesas distribuídas por 27 círculos eleitorais. A supervisão internacional ficará a cargo de delegações da CPLP (20 obervadores), da União Europeia (21), da União Africana (24), e da CEDEAO, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (37). Esta organização contribui ainda com cerca de 250 mil euros para as despesas do processo eleitoral e mais de três milhões de euros para regularizar os salários em atraso das Forças Armadas.
 
OS PRINCIPAIS CANDIDATOS

Malam Bacai Sanhá (PAIGC) - Antigo presidente do Parlamento (1994-1999) e presidente interino (1999-2000). Foi o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais de 2005 e contestou os resultados finais depois de ser derrotado na segunda volta por Nino Vieira. Em 2008 candidatou-se à chefia do PAIGC mas não impediu a reeleição de Carlos Gomes Júnios para o cargo.

Kumba Ialá (PRS) - Formou o PArtido da Renovação Social em 1992 e em representação do partido venceu as presidenciais de 1999-2000, batendo Bacai Sanhá na segunda volta. Foi presidente entre 17 de Fevereiro de 2000 e 14 de Setembro de 2003, altura em que foi deposto por um golpe militar.

Henrique Rosa (independente) - Após a deposição de Kumba foi nomeado presidente interino, permanecendo no poder de 28 de Setembro de 2003 a 1 de Outubro de 2005. A sua principal tarefa foi preparar o país para o regresso à normalidade e a realização de novas eleições.

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